Título: País pode fechar 2005 com 88 milhões de celulares
Autor: Heloisa Magalhães
Fonte: Valor Econômico, 19/10/2005, Empresas &, p. B2
Telefonia móvel
As vendas de telefones celulares nos nove primeiros meses do ano foram 21,93% superiores as do mesmo período do ano passado apesar de no mês de setembro as habilitações terem perdido a força frente às vendas em agosto, mês puxado pelo forte apelo do Dia dos Pais. Os dados da Anatel divulgados ontem mostram que, em setembro, foram realizadas 1,049 milhão de novas habilitações de celulares, totalizando o recorde de de 14,391 milhões de novos clientes nos nove primeiros meses do ano. Em 2004, no mesmo período foram 11,178 milhões. O dinamismo no setor, que parece interminável, está fazendo com que os analistas estejam sistematicamente revendo as projeções para o segmento. Em janeiro, no banco Brascan, a aposta era de que 2005 fechava com até 83 milhões de clientes. A estimativa subiu para 86 milhões. No Banif, mais otimista, no início do ano os técnicos trabalhavam com a projeção de que em dezembro haveria pouco mais de 80 milhões mas alteraram para 88,7 milhões. Uma das razões das vendas aquecidas é que as operadoras, favorecidas com a desvalorização do dólar frente ao real, reduziram preços e mantiveram o subsídio nos terminais. O analista do Banif, Roger Oey avalia que não se previa o crescimento de um mercado secundário de terminais: "As pessoas das classes A e B que trocam de aparelho geralmente dão o anterior a uma pessoa de baixa renda. Há no país telefones com mais de três anos de uso, o que não é usual ", diz. Já Felipe Cunha, do Brascan, lembra que a atual concorrência acirrada entre operadoras com guerra de preços vai continuar: "Não vejo nenhum gatilho para redução da competitividade. Aconteceria por dois motivos: deixar de vender de forma tão subsidiada ou haver uma consolidação de empresas, reduzindo os competidores, o que no momento não parece estar acontecendo", diz. A expectativa dos analistas é de que este Natal deverá ser parecido com 2004. Só em dezembro, no ano passado, foram registradas 4,5 milhões de novas habilitações. Apesar de na classe A, 95% das pessoas já terem um celular, o apelo neste Natal para a população de renda mais alta será o celular com câmera e MP3. "O aumento das funções atrai o consumidor", diz o analista do Banif. Felipe Cunha lembra que os dados da Anatel mostram que continuou havendo redução na participação de mercado do Grupo Vivo (36,05% contra 36,47% em agosto). Pare ele, pode ser reflexo do custo mais elevado dos terminais CDMA, usados pela empresa diante dos GSM, mais disseminados no mundo e mais competitivos. Aliás, a própria Oi, adepta ao GSM, apresentou pequeno aumento em sua fatia de mercado, positivo para o grupo Telemar. Ele aponta, ainda, que a TIM (com 22,94% de participação e era 22,81% em agosto) aumentou levemente sua distância em relação a Claro (21,75% em setembro e 21,68% no mês anterior). A Claro, segundo ele, é historicamente mais agressiva em sua política de preços mas agora, provoca dúvidas sobre se este movimento deveu-se a uma mais agressiva e menos rentável estratégia comercial da operadora italiana neste mês, ou então este movimento foi fruto meramente em função da TIM ser a única operadora a contar com uma abrangência nacional", diz.