Título: Governo quer garantias para ajuda financeira
Autor: Vanessa Adachi e Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 19/10/2005, Empresas &, p. B3

A alternativa de ajuda financeira do governo à Varig não está descartada, mas é preciso haver "garantias absolutas", segundo o presidente da República em exercício, José Alencar, que descartou uma intervenção estatal na companhia. Ontem, durante mais de cinco horas, representantes das empresas federais credoras da Varig - Infraero, Banco do Brasil e BR Distribuidora - se reuniram com Alencar, com o ministro da Fazenda em exercício, Murilo Portugal, com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e com um representante do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Sérgio Bitencourt. "Ajuda financeira do governo só será feita com garantia absoluta. Pode, por que não?", afirmou Bitencourt. Já Luiz Marinho foi mais enfático e disse que o BNDES "não só pode como deve" participar de um eventual plano para evitar a falência da Varig, desde que seja "consistente e com garantias efetivas". Segundo o ministro do Trabalho, há mais de uma opção a ser discutida hoje pela assembléia. "A única que não passa pela cabeça de ninguém é a mão do Estado, estatizar a empresa. Isso não existe. Qualquer alternativa passa por uma solução privada." A presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziela Baggio, discorda. "A Varig só tem saída com a participação do governo." Para a sindicalista, que apóia o plano do empresário Nelson Tanure, "se a empresa fecha, o governo não recebe nada. Portanto, tem a obrigação de participar, prestando contas à sociedade". (Colaborou Raymundo Costa, de Brasília)