Título: Credores decidem futuro da VarigLog
Autor: Vanessa Adachi e Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 19/10/2005, Empresas &, p. B3

Aviação Vence amanhã prazo para companhia pagar dívidas de leasing e há risco de retomada de aviões

Correndo contra o relógio para levantar recursos para pagar as empresas de leasing e evitar a retomada de seus aviões, o que pode acontecer nos próximos dias, a direção da Varig tenta mais uma vez, hoje, obter a aprovação dos credores para vender o controle da VarigLog, a subsidiária de transporte de carga. A venda é apontada pela direção como única saída de capitalização no curto prazo. Tudo indica que, mais uma vez, a estratégia enfrentará dificuldades para ser aprovada. Na tarde de ontem, a associação batizada de Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), antiga associação de pilotos, afirmava que formalizaria na assembléia marcada para as 9 horas uma proposta para que os funcionários "comprem" a VarigLog. Rodrigo Maroco, presidente da TGV, disse que a associação conversou com o presidente em exercício José Alencar para obter apoio. "Como credores da empresa, os funcionários usariam os seus créditos para assumir a VarigLog", disse Maroco. Segundo ele, a proposta é constituir um fundo de investimentos com garantias do BNDES. Esse pequeno detalhe - a participação do BNDES -, no entanto, é uma parte crítica. Fontes do banco estatal garantem que não há intenção de voltar a fazer nenhuma operação "de socorro". "É preciso comprovar que há segurança de retorno e que a empresa é viável", disse a fonte. Mas o BNDES só entraria com um financiamento normal depois que a dívida estivesse equacionada e um novo controlador, definido. A assembléia de credores do último dia 13 terminou com a decisão de que investidores e credores teriam prazo até hoje para apresentar propostas concretas para capitalizar a Varig imediatamente em US$ 100 milhões. Caso contrário, seria colocada em votação a proposta da atual administração para vender a VarigLog. Odilon Junqueira, presidente do fundo de pensão Aerus, voltou a afirmar ontem que, caso não surja outra alternativa, votará favoravelmente à venda da subsidiária. "Só existe uma coisa pior do que vender a VarigLog: ver a Varig no chão no dia 21." Amanhã vence o prazo dado pela Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York para que a Varig pague a dívida com as empresas de leasing, que já soma US$ 63 milhões desde que a companhia aérea entrou em recuperação judicial em junho. Até agora, o tribunal nova-iorquino tem acompanhado a decisão da Justiça brasileira e mantido a proteção à Varig contra os arrestos de aviões. Mas as companhias de leasing têm pressionado fortemente o juiz Robert Drain, argumentando que a aérea não é mais viável. A qualquer momento, portanto, Drain pode simplesmente suspender a proteção. Em mensagem aos funcionários, ontem, Omar Carneiro da Cunha, presidente da Varig, criticou as propostas feitas por TGV e pela Companhia Docas, de Nelson Tanure. Segundo Carneiro da Cunha, nenhuma delas atende às necessidades de caixa de curto prazo.