Título: BNDES foi acionado para impedir arresto de aviões
Autor: Vanessa Adachi
Fonte: Valor Econômico, 20/10/2005, Especial, p. A14
A ameaça iminente de arresto de 20 aviões da Varig foi o que motivou o governo a acionar o BNDES para participar da operação de recuperação da maior companhia aérea do país. "O governo quis sinalizar para o juiz de Nova York que tem um plano de governo que vai levantar o valor necessário para pagar os arrendadores [credores do leasing] da Varig", explicou Sérgio Varela, assessor da presidência do BNDES e especialista do setor de aviação. Varela, junto com técnicos da área de mercado de capitais do banco, foi um dos responsáveis pela redação, na noite de terça-feira, da proposta de recuperação financeira da Varig apresentada ontem cedo, em assembléia dos credores da empresa, no Rio. A sugestão do BNDES prevê a criação de uma Sociedade de Propósito Especifico (SPE) para agrupar potenciais investidores interessados em comprar as subsidiárias VarigLog (logística) e VEM (manutenção), os ativos mais valiosos do grupo. O banco financiará os investidores em até dois terços do valor de aquisição das ações das duas empresas. O aporte restante dos recursos terá que ser feito pelos próprios interessados. O suporte financeiro será feito em duas fases. Imediatamente, o banco se prontificou a participar de um empréstimo-ponte com investidores para chegar aos
US$ 62 milhões necessários para quitar a dívida com os arrendadores de aviões. Já nessa etapa inicial, terá que ser respeitada a proporção de dois terços do BNDES e um terço dos investidores. Simultaneamente a esse aporte de recursos inicial, o banco fará uma auditoria no prazo máximo de 90 dias na Varig Log e na VEM para se chegar ao valor preciso dessas empresas. Caso o valor das duas supere US$ 62 milhões, o que é provável, o BNDES vai colocar os recursos adicionais para financiar os investidores. Hoje vence o prazo dado pelo Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York para que a Varig pague a dívida com fornecedores e empresas de leasing. "A preocupação é de que a Varig perca mais aviões. Se isto ocorrer, a companhia, que tem uma frota de 76 aeronaves, sendo que 15 no chão por falta de dinheiro para sua manutenção, se veria reduzida a apenas 41 aeronaves", contou Varela. "O banco atuará como um instrumento do governo nesse processo, visando evitar que a Varig entre em colapso até falir", destacou o executivo do BNDES. Segundo ele, o papel do banco de fomento é o de fazer engenharia financeira para quem estiver na SPE. "Esperamos que eles [os investidores] cumpram o papel que se espera deles. A montagem da SPE visa fazer com que a empresa continue voando." No entender de Varela, a SPE abre uma nova temporada de conversa com investidores interessados na Varig. Ontem mesmo, o BNDES recebeu vários telefonemas de potenciais candidatos, mas os nomes não foram divulgados. "Vamos orientar e financiar as empresas que entrarem na SPE. Esta sociedade terá que levantar no mínimo US$ 62 milhões para pagar os arrendadores e as participações da VarigLog e da Vem."