Título: Acordo visa conter demissões em frigoríficos de SP
Autor: Mauro Zanatta
Fonte: Valor Econômico, 20/10/2005, Agronegócios, p. B11

O Sindifrio (entidade que reúne frigoríficos de São Paulo), a Abiec (representa exportadores de carne bovina) e a Força Sindical firmaram ontem um acordo em São Paulo para evitar demissões no setor frigorífico no Estado nos próximos 30 dias. As indústrias do Estado estão reduzindo o abate devido à crise em função do surto de febre aftosa no Mato Grosso do Sul. Paulo Pereira da Silva (o Paulinho), presidente da Força Sindical, disse que havia uma expectativa de cortes de até 30% da mão-de-obra na indústria frigorífica paulista. O setor gera hoje 70 mil empregos diretos e 250 mil indiretos no Estado. "O setor frigorífico comprometeu-se a não demitir funcionários nos próximos 30 dias", disse Paulinho. Edivar Queiroz, presidente do frigorífico Minerva e do Sindifrio, disse que uma das unidades da empresa, localizada em José Bonifácio, deu férias coletivas de 15 dias aos seus funcionários. "Alguns frigoríficos estão dando férias coletivas ou reduzindo a produção, principalmente nas regiões próximas ao Mato Grosso do Sul", afirmou. Ele observa que cerca de 20% do volume de carne bovina processada no Estado é proveniente de gado sul-mato-grossense. Queiroz disse que há interesse dos frigoríficos em manter o quadro de funcionários e que o setor irá reivindicar ao governo do Estado a devolução de créditos de exportação, como PIS, Cofins e ICMS. De acordo com estudo divulgado ontem pela Secretaria de Agricultura de São Paulo, o Estado responde por 61,6% da receita com vendas externas brasileiras de carne bovina. Em volume, São Paulo responde por 32,28% do total exportado. Nas carnes processadas esses indicadores oscilam de 58,4% para a Rússia a 100% para Egito, enquanto que nas carnes frescas varia entre os 38,8% para os EUA e 70,7% no Reino Unido. O Estado não apresenta aftosa há dez anos. Queiroz disse que a Rússia já retomou as compras da região central do Brasil, exceto Mato Grosso do Sul, mas que é preciso solucionar a questão o mais rápido possível. No dia 27, a Força Sindical e produtores farão uma passeata de bois na avenida Paulista para chamar a atenção de autoridades. A entidade também deve se reunir com representantes do Ministério da Agricultura e com os governos do Paraná e Mato Grosso do Sul para evitar demissões nesses Estados. Junto com São Paulo, eles são os principais Estados exportadores de carne bovina e os que sofrem o efeito direto da aftosa, com a proibição de exportar à UE.