Título: Vacinação em SC encontra resistência
Autor: Sérgio Bueno
Fonte: Valor Econômico, 24/10/2005, Agronegócios, p. B11
Enquanto o governo de Santa Catarina e entidades ligadas à agropecuária defendem a não-vacinação do rebanho, alguns produtores e representantes de agroindústrias já acham que a medida deveria ser tomada para evitar prejuízos maiores caso a febre aftosa chegue ao Estado. Quem defende a vacinação explica que Santa Catarina, Estado livre da aftosa sem vacinação, é considerado hoje um barril de pólvora. Se houver um único caso da doença, a disseminação será muito rápida já que o rebanho do Estado não é vacinado há cinco anos. Embora o Estado seja reconhecido como área livre pelo Ministério da Agricultura, mas não pela Organização Internacional de Epizootias (OIE), o governo catarinense acredita que seria um retrocesso voltar a vacinar. "Como o rebanho catarinense está há anos sem vacina, uma única dose não seria eficiente", diz o diretor de defesa sanitária do Estado, Roni Barbosa. Segundo ele, o Estado tem uma condição especial dentro do país e a vacina é vista hoje como somente último recurso. O secretário de Agricultura, Moacir Sopelsa, diz que não há razões suficientes para vacinação. "Se a vacina resolvesse, o país não teria os problemas que está tendo hoje." Ele afirma que há pressão de alguns setores da agropecuária catarinense pela vacinação, mas alega que o Estado tem estrutura para se defender da aftosa e vai convidar hoje o Rio Grande do Sul para estarem juntos nas barreiras, reforçando as medidas. No fim de semana, foi proibida a realização de eventos agropecuários previstos para o ano em Santa Catarina, como exposições e leilões. As medidas seguiram outras que foram colocadas em prática na tarde de sexta-feira, quando o Estado fechou a fronteira ao Paraná. A Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc), por enquanto, não está defendendo a vacinação, embora tenha ouvido pedidos de membros de sua base para que passasse a defender a medida. Ernori Barbieri, vice-presidente da Faesc, diz que se reunirá com representantes do Estado amanhã e pedirá que Santa Catarina seja mais rigorosa nas barreiras. Pedirá que o Estado exija apoio do exército e que passe a aplicar pena mais rigorosa para os que contrabandeiam animais. Nos últimos dias, Santa Catarina sacrificou 67 bovinos provenientes do Paraná. As medidas de defesa sanitária abriram uma guerra entre os Estados. Rio Grande do Sul proibiu a entrada de produtos catarinenses e São Paulo fechou a fronteira para os queijos de Santa Catarina.