Título: Conta-investimento movimentou no primeiro mês R$ 3 bi entre bancos
Autor: Mônica Izaguirre
Fonte: Valor Econômico, 08/11/2004, Eu & Investimentos, p. D-2
O volume de dinheiro que saiu de um banco para outro via conta-investimento chegou a cerca de R$ 3 bilhões no primeiro mês de existência da nova conta. O valor representa, porém, apenas uma parte do que foi depositado nas contas-investimento em outubro. O número não considera também as migrações de recursos via conta-investimento entre aplicações em uma mesma instituição, sem pagar CPMF. Mas já é um indicador de como a criação da conta propicia mais concorrência no sistema financeiro, avalia o chefe-adjunto do Departamento de Operações Bancárias e Sistema de Pagamentos do BC (Deban), Luiz Fernando Maciel. "Isso mostra que o novo instrumento está servindo a uma de suas mais importantes finalidades", afirmou ele, ao comentar os números obtidos com exclusividade pelo Valor. Antes da criação da conta-investimento, lembrou, a migração de recursos entre aplicações financeiras, inclusive dentro do mesmo banco, era sujeita a 0,38% de CPMF. Para reaplicar, o cliente precisava pedir o resgate e o dinheiro passava pela conta corrente antes de ir para a nova carteira e, ao sair, pagava CPMF. Isso desestimulava a troca de aplicação mesmo que os ganhos não fossem tão bons. Criada para ser um canal exclusivo de transição de recursos entre diferentes aplicações ou gestores, a conta-investimento eliminou a barreira tributária que existia à livre escolha do aplicador. Com isso, beneficou a concorrência, observa Maciel. Atualmente, informa, a média diária de transferências interbancárias de investimentos está em torno de R$ 150 milhões. O Banco Central não tem disponíveis os dados de transferências entre aplicações feitas dentro de cada instituição, por se tratarem de transações que não envolvem movimentações de recursos entre instituições financeiras. Portanto, não passam pelo BC, explicou. O número levantado pela autoridade monetária inclui tanto as transferências de contas correntes de uma instituição para contas-investimento de outra quanto entre contas-investimento de bancos diferentes. Foram consideradas também as transferências com destino a contas de instituições financeiras que aplicam em nome de clientes, como as corretoras de valores. O BC decidiu considerá-las porque, com as regras vigentes a partir de 1º de outubro, essas contas também acabam funcionando como conta-investimento para o aplicador final pois os recursos agora podem migrar diretamente para outra instituição, caso o investidor determine a transferência. Tal possibilidade não havia antes. Ao escolher uma nova corretora para gerir seus recursos em fundos, por exemplo, o investidor necessariamente via seu dinheiro transitar por sua conta corrente e, assim, era tributado com CPMF. Maciel informou que não há dados comparativos de meses anteriores porque, antes, os sistemas não discriminavam a finalidade "investimento" nas transferências interbancárias.