Título: Dívida pública mobiliária segue em crescimento e atinge R$ 933 bi
Autor: Arnaldo Galvão
Fonte: Valor Econômico, 25/10/2005, Finanças, p. C2

A emissão líquida de títulos e a apropriação de juros levaram o estoque da dívida pública mobiliária federal interna a R$ 933,22 bilhões em setembro. O intervalo previsto no Plano Anual de Financiamento (PAF) para 2005 foi estabelecido entre R$ 940 bilhões e R$ 1 trilhão. O estoque da dívida em setembro é 1,3% maior que o registrado em agosto, mas melhorou o perfil do endividamento. A nota conjunta divulgada pelo Banco Central e pelo Tesouro Nacional informa que, no mês passado, aumentou a participação de papéis prefixados e, por outro lado, diminuíram as parcelas vinculadas à Selic, aos índices de preço e ao câmbio. O governo federal encerrou 2004 com um estoque de R$ 810,26 bilhões na dívida interna. Neste ano, o acréscimo, até setembro, foi de R$ 122,96 bilhões. Nesses nove meses, as emissões líquidas do Tesouro foram de R$ 19,9 bilhões e a apropriação de juros foi de R$ 103,6 bilhões. O prazo médio das emissões em ofertas públicas reduziu-se ligeiramente em setembro, ficando em 27,54 meses. Em agosto, foi de 27,9 meses. O prazo médio do estoque da dívida também caiu ligeiramente, de 27,4 meses para 27,2 meses. Nos objetivos do PAF 2005, o intervalo do prazo para o estoque da Dívida é entre 28 e 34 meses. Considerando as operações de swap, a parcela da dívida pública atrelada ao câmbio reduziu-se de 4,11% (agosto) para 3,82% em setembro. Essa é a menor participação desse tipo de papel em toda a série histórica iniciada em dezembro de 1999. O chefe adjunto do Departamento de Operações do Mercado Aberto do BC (Demab), João Henrique Simão, afirmou que, em outubro, já foram resgatados US$ 154 milhões em papéis cambiais e que, neste mês, não ocorrerão outros vencimentos. Em 2005, o BC já gastou US$ 15,3 bilhões em operações com títulos cambiais, considerando principal e juros. Outro recorde da série histórica foi batido em setembro: a participação dos títulos prefixados foi de 25,76%. Em agosto, ela foi de 23,87%. E o peso dos papéis remunerados pela variação da Selic na dívida interna caiu de 55,85% (agosto) para 54,33%. A participação dos títulos vinculados aos índices de preços teve uma pequena redução, já que em agosto ela foi de 13,71% e moveu-se para 13,63% em setembro. A porcentagem dos papéis influenciados pela TR ficou estável em 2,46% da Dívida Pública Mobiliária Federal Interna. O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro, Paulo Valle, disse que, até setembro, foram rolados 105% da dívida. Foram emitidos, em 2005, R$ 401,515 bilhões e os resgates foram de R$ 381,605 bilhões. Valle disse que até o fim deste ano a rolagem pode ser maior, com as emissões líquidas superando os atuais R$ 19,9 bilhões. A parcela de curto prazo da dívida - vencimentos em até 12 meses - reduziu-se para 41% em setembro. Em agosto, essa participação foi de 42,7%. Segundo o que Valle destacou, a participação dos títulos prefixados nessa fatia da dívida foi de 60,72%, a menor da série histórica iniciada em dezembro de 1999. Esse comportamento revela, segundo o coordenador, o processo de alongamento dos títulos prefixados. Nas operações de mercado aberto, o objetivo do BC é equilibrar a liquidez de curtíssimo prazo do sistema financeiro. O Banco Central foi tomador de recursos apenas no dia 2. Nessa oportunidade, quando retirou reservas excedentes, a taxa foi de 19,72% e o volume financeiro foi de R$ 1,4 bilhão. No restante de setembro, o BC injetou dinheiro por meio de operações com prazo de um dia útil e volume financeiro médio de R$ 8 bilhões. Nesses casos, as taxas variaram de 19,78% a 19,53%. Segundo o Demab, o volume das quatro operações compromissadas de prazo de três meses e rentabilidade prefixada foi de R$ 14,8 bilhões. Se considerados os vencimentos das operações desse gênero, foram retirados R$ 1,8 bilhão do sistema. Em 30 de setembro, o saldo dessa modalidade era de R$ 48,6 bilhões. A previsão de Simão, para outubro, é de estabilidade em torno desse saldo. O chefe adjunto do Demab afirmou que, em outubro, iniciaram-se as compromissadas de três e cinco meses. O objetivo do BC é "alongar e desconcentrar" essas operações e a reação do mercado, segundo Simão, foi boa. Portanto, a tendência é a de mantê-las. As operações de nivelamento ocorreram em 19 dos 21 dias úteis de setembro. Em oito ocasiões, o BC concedeu financiamentos. Em duas oportunidades, absorveu reservas. Nas demais, foram feitas as duas operações. As atuações doadoras tiveram volume financeiro médio de R$ 142 milhões, com taxas entre 20,25% e 20%. As tomadoras registraram volume financeiro médio de R$ 301 milhões, com taxas entre 19% e 19,25%.