Título: Imposto de importação de autopeças perde redutor
Autor: Raquel Landim e Paulo Braga
Fonte: Valor Econômico, 26/10/2005, Brasil, p. A5

A Receita Federal determinou o fim da redução de 40% no imposto de importação de autopeças do Brasil, que varia de 14% a 18%. Essa era uma das demandas argentinas nas discussões para a prorrogação do acordo que regula o comércio de veículos com o Brasil. A decisão foi tomada na semana passada. Segundo o Sindipeças (que reúne os fabricantes de autopeças do Brasil), os dois principais sócios do Mercosul haviam acertado eliminar seus incentivos para a importação de autopeças até o início desse ano. A Argentina elevou a tarifa, inicialmente em 2%, e cumpriu sua parte. O Brasil protelou a decisão, que vigorava desde 2001. Uma fonte do governo argentino disse ao Valor que a mudança não foi considerada como um gesto do governo brasileiro para facilitar as negociações do novo acordo automotivo com o país vizinho. Na avaliação do funcionário, a alteração na lei responde a pressões dos fabricantes de autopeças brasileiros cujos problemas de competitividade estariam sendo agravados pela taxa de câmbio. Apesar da avaliação desfavorável da Argentina, a decisão gerou protestos no Brasil. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb, diz que já procurou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, para pedir a volta do redutor. Segundo o dirigente, a medida provocará aumento de custos na produção. "As empresas, tanto montadoras como autopeças, hoje só importam componentes não disponíveis no mercado brasileiro ou que não são produzidos aqui porque a baixa escala não compensaria os investimentos", afirma Golfarb. "Num momento em que o câmbio favorece a importação somos surpreendidos com uma mudança repentina que certamente elevará os custos", completa o presidente da General Motors, Ray Young. O impacto da eliminação do redutor será diferente em cada modelo de veículo. Os carros mais sofisticados, com mais itens eletrônicos, são os que carregam maior números de componentes importados. (RL, PB e MO)