Título: Inovação preocupa empresas, diz estudo
Autor: Ricardo Balthazar
Fonte: Valor Econômico, 27/10/2005, Especial, p. A14
Desenvolvimento Pesquisa indica que desembolsos em tecnologia são insuficientes e têm resultados modestos
As indústrias brasileiras estão mais preocupadas com a necessidade de investir em inovação para diferenciar seus produtos e enfrentar a concorrência em melhores condições, mas os investimentos que a maioria tem feito ainda são insuficientes, como sugere uma pesquisa feita com 743 empresas e apresentada ontem. A sondagem foi feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Os questionários foram enviados no ano passado e as respostas foram analisadas neste ano. O resultado indica que 81% das empresas planejavam investir em pesquisa e desenvolvimento de produtos neste ano. Mas a maioria, quase dois terços das indústrias, informou que pretendia aplicar no máximo 2% do seu faturamento nessas atividades. Como outros estudos sobre o tema revelam, as empresas dão prioridade para investimentos que tornem seu processo produtivo mais eficiente, deixando em segundo plano medidas que poderiam ajudá-las a lançar produtos mais inovadores na praça. Segundo a pesquisa da CNI e do Sebrae, 76% das empresas planejavam comprar máquinas e equipamentos e 65% pretendiam se concentrar no aperfeiçoamento de processos produtivos e dos seus produtos. Mas apenas 20% pensavam em construir laboratórios de pesquisa e só 21% previram no orçamento gastos com a aquisição de tecnologias desenvolvidas fora da companhia. "Existe uma consciência forte nas indústrias de que é preciso inovar para ampliar sua participação no mercado e a maioria faz alguma coisa, mesmo que não sejam pesquisas científicas de ponta", disse o economista Maurício Mendonça, coordenador da área de competitividade da CNI e um dos responsáveis pela pesquisa. O levantamento também sugere que o esforço inovador das empresas brasileiras tem alcançado resultados modestos. Na maioria dos casos, a participação de produtos novos no faturamento é muito pequena. Em 62% das indústrias de grande porte que participaram da pesquisa, menos de 10% das vendas de 2003 foram obtidas com produtos lançados nos dois anos anteriores. O grosso do faturamento veio com produtos conhecidos. O estudo da CNI e do Sebrae também avaliou o grau de insatisfação das empresas com o estado da infra-estrutura do país, que muitas vêem como um entrave maior do que a falta de investimentos em inovação tecnológica. Segundo a pesquisa, 77% das empresas estão insatisfeitas com o estado das ferrovias, 74% acham as rodovias ruins e 61% têm problemas com os portos. No caso das rodovias, o grau de insatisfação das indústrias aumentou em relação a um levantamento semelhante feito em 1999. "Não basta a empresa ser inovadora se o ambiente externo prejudicar sua competitividade dessa maneira", afirmou o presidente da Federação das Indústrias do Paraná, Rodrigo da Rocha Loures, presidente do Conselho de Política Industrial da CNI.