Título: CST tenta derrubar barreira americana antidumping
Autor: Ivo Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 27/10/2005, Empresas &, p. B8

Siderurgia Fim da sobretaxa permite exportar laminado a quente aos EUA

Depois da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), agora é a Siderúrgica de Tubarão (CST) que luta para derrubar a sobretaxa antidumping nos Estados Unidos contra a importação de laminados a quente produzidos no Brasil. O principal argumento da empresa, sediada em Serra (ES), é de que ela não fabricava o produto em 1999, quando o Departamento de Comércio americano aplicou a penalidade a fabricantes brasileiras - CSN, Usiminas e Cosipa. A siderúrgica capixaba, depois de investir mais de US$ 400 milhões, entrou nesse segmento de mercado no final de 2003, quando pôs em operação seu laminador. Benjamin Baptista, diretor comercial da CST, explica que a empresa entrou com pedido de revisão administrativa no órgão americano em 2004. Para justificar o pedido, fez exportações de dois lotes simbólicos para os EUA - 1 mil toneladas cada -, para dois clientes diferentes, submetendo-se às sobretaxas acima de 46% (contra dumping e subsídios). Em agosto, a empresa recebeu a aprovação preliminar do seu pleito, após a visita à sua usina de duas missões de auditores americanos em julho. Os técnicos verificaram os preços praticados para os mercados interno e externo. No caso de exportação, averiguaram se o valor não era inferior aos do mercado interno e ainda se estavam ou não abaixo do custo de produção. Desde agosto, o processo tornou-se público nos EUA, durante três meses, para conhecimento do mercado. Está aberto a possíveis reclamações de produtores locais, que nesse período deverão registrar, se houver, seus protestos. Depois disso, o Departamento de Comércio terá mais dois meses para conceder a aprovação final. A expectativa da CST é ter o sinal verde em janeiro. Livre da sobretaxa - que retirou os produtos brasileiros do mercado americano nos últimos anos -, a CST poderá embarcar seu produto. "Nossa intenção é chegar bem devagar, por isso estamos avaliando que mercados pretendemos atender", comenta o diretor. A companhia, líder mundial na produção de placas, produto que tem os EUA como seu principal mercado, analisa começar a venda para mercados mais nobres. Clientes dessa categoria, como fabricantes de tubos de alta precisão e resistência e de vasos de pressão para indústrias, pagam acima de US$ 70 a tonelada por esses tipos de laminados a quente acima do valor do produto considerado "de mercado". A bobina comercial a quente é vendida entre US$ 460 e US$ 480. Neste ano, a CST prevê produzir 2,3 mil toneladas de laminados a quente, produto usado em autopeças, tubos, botijões de gás, implementos agrícolas e outros. Desse volume, espera exportar 650 mil toneladas - 60% para América Latina, 20% para Europa e 20% para Ásia. O mercado americano é altamente cobiçado: a demanda por laminados a quente chega a 40 milhões de toneladas por ano. Uma boa parte disso é importada.