Título: MS identifica novo foco de aftosa e governo federal libera recursos
Autor: Mauro Zanatta, Marli Lima e Conrado Loiola
Fonte: Valor Econômico, 27/10/2005, Agronegócios, p. B11
Crise sanitária Há suspeitas de mais dois focos no Estado; resultado no Paraná sai sexta
O governo federal deve publicar hoje medida provisória para permitir a indenização dos pecuaristas que tiveram prejuízo com o sacrifício de seus rebanhos por causa dos focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul. A MP inclui o pagamento a criadores do Paraná, que têm suspeitas da doença em pelo menos quatro municípios. A medida prevê a destinação de R$ 33 milhões, dos quais R$ 20 milhões serão pagos diretamente aos pecuaristas. Outros R$ 6 milhões servirão ao apoio das famílias envolvidas no comércio de bovinos, leite e derivados. O governo também destinará R$ 6 milhões para reforçar a vigilância e o controle das regiões atingidas. Campanhas educativas e prevenção de doenças animais terão mais R$ 1 milhão. O ministro Roberto Rodrigues informou ontem, em audiência pública no Senado, que os R$ 20 milhões para os pecuaristas correspondem à obrigação legal da União de bancar dois terços das indenizações de emergência. Os Estados devem complementar o valor restante. O ministério estima que será necessário abater cerca de 10 mil animais nas regiões dos focos no Mato Grosso do Sul e Paraná (caso as suspeitas em análise sejam confirmadas). Entretanto, o governo reservou recursos suficientes para indenizar o abate sanitário de 28 mil animais. Rodrigues afirmou que o principal objetivo da medida é evitar a perda de renda de pecuaristas e trabalhadores rurais. "A preocupação é com a renda do pecuarista e com a renda do País", disse. Tereza Cristina da Costa, diretora da Famasul (reúne agricultores do Estado), disse que os pecuaristas sul-mato-grossenses não podem aguardar a liberação desse recurso e vão utilizar recursos do Fundo Emergencial para Defesa e Saúde Animal (Fesa/MS) - fundo privado administrado pela Fundação Educacional para Desenvolvimento Rural (Funar). O fundo, que deve ser liberado em 15 dias, disponibilizará R$ 3,3 milhões para indenização dos produtores. Conforme a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), foram abatidas até ontem 902 cabeças de gado nas fazendas da região afetada, de um total de 6000 cabeças. Em Japorã (MS), a ocorrência de chuvas tem atrasado o sacrifício de animais, mas o trabalho começou a ser feito ontem na fazenda Guaíra, onde foram mortos cerca de 200 animais de um total de 780. O coordenador de Defesa Civil do município, Walter Silva, disse que Japorã tem sete focos da doença confirmados e aguarda exames feitos em 11 propriedades. Ele contou que 40 homens estão sendo contratados para reforçar barreiras na região. Hoje há 17 barreiras montadas e outras 10 devem ser implantadas até sexta-feira. Em Eldorado (MS), além das fazendas Vezozzo e Jangada, outro foco da doença foi encontrado na fazenda Floresta Branca, que em 2000 virou um assentamento para 185 famílias. No local, foram sacrificados na segunda-feira 24 cabeças de bovinos e 41 de suínos. A prefeita Mara Caseiro (PDT) contou que para evitar que o vírus se espalhe pelo assentamento, nos próximos dias será feito sacrifício preventivo em cinco propriedades vizinhas, onde existem cerca de 100 animais. "Tinha muito medo que isso chegasse ao assentamento", disse Mara. A Floresta Branca, de acordo com ela, fica cerca de 10 quilômetros distante do local onde foi localizado o primeiro foco. Ainda não foi revelada a maneira como o vírus chegou lá. Segundo dados do Ministério da Agricultura, exames laboratoriais podem confirmar a existência de mais dois focos em cidades sul-matogrossenses nos próximos dias. No Paraná, segundo a Secretaria de Agricultura, o resultado dos exames em quatro propriedades só deverá ser divulgado na sexta-feira, caso o laboratório não solicite outras contraprovas. O resultado dos exames feitos até agora não foram conclusivos, segundo o órgão. A Secretaria informou que não está fora do prazo de divulgação dos resultados, em comparação ao procedimento adotado pelo Mato Grosso do Sul. Por conta das suspeitas, 40 propriedades do Estado estão interditadas. Ainda ontem, o Ministério da Agricultura confirmou o embargo às carnes brasileiras pela Colômbia e Romênia.(Com FolhaNews)