Título: Deflação e crise política afetam fundações
Autor: Catherine Vieira
Fonte: Valor Econômico, 27/10/2005, Finanças, p. C3
Investimentos Após o primeiro semestre de fraco desempenho, fundos começam a recuperar os ganhos
O ano de 2005 não tem sido fácil para o segmento de fundos de pensão, mas a expectativa do setor é de recuperação, já a partir dos números de setembro, o que pode garantir o cumprimento das metas do ano. Com o mau desempenho do mercado de ações no primeiro semestre e os cinco meses seguidos de deflação medida pelo IGP-M, a carteira de investimentos consolidada do setor teve crescimento de apenas 3,4% até junho, o mais fraco dos últimos anos. Com isso, os R$ 255,8 bilhões apurados no fim de 2004 evoluíram para apenas R$ 264 bilhões em junho deste ano. Em todo o ano passado, a carteira cresceu 18,3%, e em 2003, o melhor do histórico, foi registrado aumento de 28,3%. Neste cenário de crescimento menor e ainda sob o calor dos acontecimentos da crise política - que colocou os fundos no centro do tiroteio das CPIs -, começou ontem o principal encontro do calendário do setor, o 26º Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão, que acontece até amanhã em Porto Alegre e no qual o setor vai discutir as diretrizes internas, com foco na governança corporativa e responsabilidade social. No entanto, a visão do presidente da Associação Brasileira de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), Fernando Pimentel, é otimista tanto para os investimentos quanto para o cenário político. Com relação ao crescimento das carteiras, Pimentel diz que a recuperação da bolsa e dos índices de inflação já está em curso, o que garantirá o desempenho do ano. "Quase todos os fundos, senão a totalidade deles, baterá suas metas atuariais e de performance de investimento este ano." Pimentel explicou que há outros fatores que contribuem para que a carteira tenha crescido pouco. "Os grandes fundos estão chegando a um momento de maturidade, ou seja, um ponto onde há mais pagamentos de benefícios e, por outro lado, menos participantes novos aportando recursos", disse ele. Ainda assim, ele acredita que a carteira possa chegar a marca dos R$ 300 bilhões este ano. Os ativos totais dos fundos de pensão (que não incluem apenas o disponível para investimento) já somavam R$ 289,4 bilhões em junho, algo em torno de 16,5% do PIB. Para Wagner Pinheiro, presidente da Petros e do Instituto Cultural de Seguridade Social (ICSS), a tendência de queda nas taxas de juros e a necessidade de alongamento dos fundos devem promover crescente migração dos ativos para títulos de crédito privado e para a renda variável. Em junho, do total da carteira de investimentos do setor, 27,3% estavam alocados em renda variável, percentual menor do que registrado no fim de 2004, que era de 30,1%. Já a renda fixa cresceu e engloba 63,3%. Os investimentos em imóveis correspondem a apenas 5,4% da carteira. Tanto Pinheiro quanto Pimentel acreditam que os fundos vivem um momento de retomada de crescimento. "Pleitos importantíssimos como o da questão tributária, pelo qual vínhamos lutando há anos, foram atendidos. Agora, temos um sistema com regras semelhantes às dos países que tiveram mais sucesso no setor de previdência complementar. Além disso, há os planos associativos, que começam a ser montados, temos ingredientes para uma retomada dos crescimentos, mas para isso é preciso continuar lutando pela nossa imagem, para que a sociedade entenda a importância dos fundos de pensão, do contrário, que empresa vai querer montar um?", afirmou.