Título: Brasil e EUA negociam acordo no algodão
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 28/10/2005, Brasil, p. A6
O Brasil e os Estados Unidos negociam um novo acordo na briga do algodão, que pode levar o governo brasileiro a suspender a demanda de retaliação de US$ 1 bilhão contra produtos americanos devido à manutenção de subsídios internos ilegais ao produto. O embaixador brasileiro na Organização Mundial do Comércio (OMC), Clodoaldo Hugueney, indicou que novas discussões bilaterais ocorrem tendo em vista que retaliação não leva a nada. Mas reiterou que não há nenhuma decisão no momento. Inclusive porque depende do que os EUA vão propor para acabar os subsídios domésticos que causam sérios prejuízos aos produtores brasileiros. "Mas a suspensão (do pedido de retaliação) também pode ser interrompida a qualquer momento", afirmou Hugueney. O anúncio de provável novo acordo foi publicado ontem pela newsletter especializada BNA, de Washington, com base em informações de uma assessora do Departamento de Agricultura americano. Se houver acordo, será a segunda vez que o Brasil suspenderá demanda para aplicar sanção contra os EUA na briga do algodão. Curioso é que o Itamaraty dizia há três semanas que desta vez não seria possível um entendimento bilateral, porque os EUA não deram nenhuma indicação de como cortariam os subsídios condenados. A primeira vez que o Brasil aceitou acordo nessa briga foi em julho, depois de ter pedido à Organização Mundial do Comércio (OMC) o direito de retaliar no montante de US$ 3 bilhões pela não retirada de subsídios ilegais à exportação. Desde então, os EUA acenam que podem acabar o programa Step 2 (compensa os fabricantes e exportadores americanos que compram o algodão local, mais caro) em julho de 2006, um ano além do que a OMC tinha estabelecido. Para Pedro de Camargo Neto, da Sociedade Rural Brasileira, a idéia de novo acordo é ruim. "No dia em que os EUA resolverem respeitar a decisão da OMC, a cotonicultura brasileira já estará destruída", afirmou. Segundo ele, neste ano os EUA estão dando subsídios históricos ao setor do algodão, de US$ 4,7 bilhões, bem acima das subvenções dadas quando o contencioso começou na OMC. (AM)