Título: PT define nova direção e busca apoio da esquerda
Autor: Thiago Vitale Jayme
Fonte: Valor Econômico, 21/10/2005, Política, p. A6

O PT define neste fim de semana a nova cara da direção partidária que vai conduzir os debates em 2006 numa eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O desafio do chamado campo majoritário, cujo poder foi claramente reduzido na legenda principalmente no decorrer da crise política, é atrair forças mais à esquerda do partido. Será fundamental a negociação da corrente Articulação, do presidente Lula, com o Movimento PT, corrente de centro que terá posição decisiva em debates cruciais, como a política de alianças para a reeleição e o programa de governo, com destaque para a política econômica. O novo diretório deve selar ainda a expulsão do ex-tesoureiro Delúbio Soares. "O Movimento PT deve se alinhar conosco em muitas matérias", explicou o deputado Maurício Rands (PT-PE), da Articulação. A expectativa da Articulação é contar com boa parte do Movimento PT . Na eleição para a presidência da legenda, a corrente apoiou Raul Pont, da Democracia Socialista (DS), o que configura uma identidade maior do grupo com a esquerda. No entanto, a tendêncianão é considerada homogênea, conforme os próprios petistas. A Articulação, a Democracia Radical (de José Genoíno),e o grupo ligado a Marta Suplicy (PT de Lutas e Massas) tendem a defender uma política de alianças mais ampla em 2006, de centro-esquerda. Já a Articulação de Esquerda, a DS e a corrente Trabalho vão enfatizar que a coalizão deve se dar pela esquerda. O Movimento PT fica dividido entre as duas teses. Por isso é tão fundamental para o ex-campo majoritário, que deixou de ter 60% da legenda para pouco mais de 40%. Na negociação para compor o Diretório Nacional e da Executiva, o Movimento PT poderá ficar com a Secretaria de Organização, um posto sempre cobiçado pelos petistas, e uma vice-presidência. Os dois nomes cotados para assumir , respectivamente, são Romênio Pereira, que ocupava a vice-presidência nacional do partido e a deputada Maria do Rosário (RS). Emissários de diferentes correntes do PT foram enviados a Delúbio esta semana para negociar uma desfiliação pacífica. Até ontem ele resistia. Em relação aos deputados do PT que poderão ser cassados, o grupo majoritário vai defender que o tema seja tratado pela Executiva, e não pelo Conselho de Ética da legenda. A direção do PT já notificou os deputados a prestarem esclarecimentos sobre as denúncias de que receberam dinheiro do empresário Marcos Valério.