Título: Mulheres protagonizam a votação
Autor: Paulo Braga
Fonte: Valor Econômico, 21/10/2005, Internacional, p. A8
A eleição do domingo na Argentina vai renovar metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado. As pesquisas indicam que o resultado significará um avanço da bancada do governo no Congresso, mas analistas descartam que Néstor Kirchner venha a contar com maioria própria. A principal disputa ocorre na província de Buenos Aires, maior distrito eleitoral do país. No distrito competem como candidatas ao Senado, encabeçando listas rivais, a mulher de Kirchner, Cristina Fernández, e a mulher do ex-presidente Eduardo Duhalde, Hilda "Chiche" Duhalde. Outro candidato, com poucas chances de vitória, é o ex-ministro da Economia Ricardo López Murphy. De acordo com as pesquisas, a primeira-dama ganhará a disputa, mas os prognósticos em relação à sua vantagem em relação a "Chiche" variam muito, desde 10% a 25%. Se Kirchner ganhar com 10% de vantagem ou menos, Duhalde preservará uma bancada parlamentar expressiva e terá força na negociação de um eventual acordo político com Kirchner ou peso para aliar-se à oposição e ao menos retardar a aprovação de iniciativas do governo no Congresso. Em contraste, uma vitória mais ampla de Kirchner deve fazer com que aliados de Duhalde, particularmente em municípios da Grande Buenos Aires, passem a apoiar o governo. Segundo diversas estimativas, o grupo de deputados governistas deve ficar entre 90 e 110, sobre um total de 257 deputados, mas o tamanho da bancada que efetivamente apoiará o governo vai depender também das alianças que forem feitas a partir do resultado da eleição. Quanto melhor se sair o governo, maior é a tendência de que possa captar novos aliados. No Senado, apesar de não contar com uma maioria explícita, o governo vem conseguindo aprovar projetos sem problema. A expectativa é que o resultado de domingo não altere essa situação. Além da província de Buenos Aires, outro foco importante da disputa é a capital. Aí os resultados para o governo não devem ser tão bons. O candidato a deputado que encabeça a lista governista (a cidade não elege representantes ao Senado) é o atual chanceler, Rafael Bielsa. Segundo as pesquisas, ele ocupa o terceiro lugar, atrás do presidente do Boca Juniors, Mauricio Macri (centro direita), e da ex-candidata presidencial Elisa Carrió (centro esquerda). Na província de Santa Fé, outro distrito importante, os candidatos do governo devem perder a disputa para o Partido Socialista, que dependendo do resultado poderia articular um pólo de oposição. E alguns peronistas rivais do governo devem conseguir voltar à cena política nacional, como os ex-presidentes Carlos Menem e Adolfo Rodríguez Sáa, que são favoritos a ganhar cada um uma vaga no Senado, representando suas províncias, La Rioja e San Luis.