Título: Seis novos focos estariam sob investigação do governo
Autor: Marli Lima
Fonte: Valor Econômico, 21/10/2005, Agronegócios, p. B12
O Ministério da Agricultura investiga a ocorrência de seis novos focos de febre aftosa na chamada zona de emergência sanitária no Mato Grosso do Sul. O presidente do Fórum de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira, confirmou ontem as suspeitas de novos focos em conversas reservadas com autoridades do próprio ministério. "Me garantiram que esses focos existem. Eu acredito, porque é uma região endêmica desse vírus, uma área de pequenas propriedades coladas umas nas outras, onde a aftosa se espalha muito facilmente", afirmou. "Mas quem deve dizer se existe mesmo é o ministério", disse. Oficialmente, o ministério nega o diagnóstico de novos focos. Mas fontes do setor indicam que o governo não está disposto a divulgar novas informações sobre a ocorrência de outros focos na região já infectada pelo vírus da aftosa por temer a ampliação de reações negativas e outros embargos à carne brasileira. Por esta versão, a Pasta só confirmará novos focos que forem detectados fora da zona de emergência dos cinco municípios. O secretário de Defesa Agropecuária, Gabriel Maciel, afirmou que negocia com autoridades do Mato Grosso do Sul o abate imediato de todo animal que apresentar os sintomas clínicos da aftosa - aftas, cascos feridos e baba excessiva. "Se tiver com sintoma clínico, abate o gado. Não precisa nem fazer a análise em laboratório", disse. "O vírus está lá. Não precisa de novas provas", disse. Amostras de sangue de bovinos da região de Japorã, Eldorado, Iguatemi, Itaquiraí e Mundo Novo estão em análise no laboratório oficial de Belém (PA) desde a semana passada. O ministério anunciou duas vezes que divulgaria o resultado das análises, mas até agora nenhum novo teste foi apresentado. A região já registrou cinco focos de aftosa - nas fazendas Vezozzo e Jangada, em Eldorado; e nas propriedades Guairá, Santo Antônio e São Benedito, em Japorã. Pecuaristas e empresários do setor acreditam que a medida pode ter efeito contrário ao colocar ainda mais em dúvida a real situação sanitária do rebanho. Em reunião no Palácio do Itamaraty, o presidente Lula recebeu do governador José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT (MS), pedido de recursos para enfrentar a crise aberta pela aftosa. Ele solicitou a liberação de dinheiro para indenizar os pecuaristas que tiveram gado sacrificado por causa da doença. A medida deve custar R$ 18 milhões aos cofres da União, segundo a CNA. O governador também pediu ao presidente a presença do Exército nas fronteiras do estado com o Paraguai e a Bolívia. O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, afirmou que Lula deu sinal verde à liberação dos recursos. Mas apenas para os pecuaristas que comprovarem ter vacinado o gado. "Sempre que ficar caracterizado o fato que não houve vacinação, também não há indenização", garantiu. O governador Zeca do PT não concordou com a posição de Rodrigues. Segundo ele, a indenização deve ser paga a todos os produtores. "Agora, não temos condições de levantar com precisão quem teve e quem não teve culpa", defendeu. A separação dos criadores que vacinaram daqueles que não cumpriram a obrigação "será feita posteriormente", disse o governador. Ele pediu reforço na legislação para punir quem não vacinar seu rebanho ou comprar gado contrabandeado. O representante dos pecuaristas defendeu a posição de Rodrigues e afirmou ser contra indenizar os pecuaristas sem comprovação de vacinação do gado "Se não for punido pelo que fez, não adianta nada", disse Antenor Nogueira.