Título: Palocci reforça câmbio livre e indica ajuda aos exportadores
Autor: Raquel Salgado e Sergio Lamucci
Fonte: Valor Econômico, 09/11/2004, Brasil, p. A-3
O ministro da Fazenda Antônio Palocci esteve reunido ontem em São Paulo com importantes líderes empresariais do varejo, construção civil, indústria e telefonia. Em pauta: taxa de juros, câmbio, inflação, carga tributária, preço do petróleo e informalidade da economia brasileira. Sérgio Haberfeld, presidente da Câmara Americana de Comércio de São Paulo (Amcham -SP), disse que o ministro - que deixou a reunião sem falar com jornalistas - afirmou que o câmbio é livre, ao ser questionado sobre a conveniência de desvalorização do real para que as exportações não sejam prejudicadas. Palocci lembrou que o dólar já se desvalorizou em relação a outras moedas e, com isso, o real vai junto. A idéia é de que não há nada que faça o dólar valorizar ou desvalorizar, só o mercado. Ao tratar dos juros, Palocci deu a entender que o Banco Central tem toda a liberdade, e tenta se proteger da inflação, relatou Haberfeld. "Eles têm como objetivo manter a inflação sob controle". Sobre a possibilidade de uma taxa de juros em 20% no início de 2005, Palocci disse não acreditar em um patamar tão alto. Fernando Xavier, presidente do Grupo Telefônica no Brasil, contou que o ministro deixou claro ser a favor da autonomia do Banco Central, o que traria "maior tranqüilidade para se tomar as decisões monetárias". O ministro também sinalizou com a possibilidade de o governo federal liberar verbas para os Estados com o objetivo de garantir recursos para ressarcir as empresas exportadoras com crédito de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A informação foi fornecida por um empresário que esteve no encontro. Segundo os participantes, o acúmulo de crédito de ICMS gerado com o aumento das exportações foi uma das principais preocupações. O empresariado teme que o acúmulo de créditos a receber provoque aumento de custos e, conseqüentemente, repasse aos produtos industriais. Palocci disse que esta é uma questão a ser tratada também na reforma tributária. Outro destaque na discussão foi a informalidade na economia. Empresários e ministro concordaram que é preciso tratar do problema desde o pequeno trabalho até a pirataria de grandes produtos. Palocci lembrou da idéia da versão do Simples para empresas que faturam até R$ 36 mil por mês. Sobre as reclamações acerca da alta carga tributária do país, o senador petista Aloizio Mercadante, coordenador do encontro, afirmou que uma queda substancial só poderá ocorrer quando a relação dívida pública/PIB também cair. Segundo ele, neste ano, essa relação irá ficar 3,5 pontos percentuais menor. Na opinião de Benjamim Steinbruch, presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a discussão foi surpreendentemente aberta, com ampla exposição de idéias e "postura de colaboração dos membros do governo". Esses encontros têm ocorrido a cada 20 dias, em média, e já contaram com participação de Nelson Jobim, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e Henrique Meirelles, presidente do Banco Central. O próximo encontro, no final de novembro, reunirá empresários e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para discutir como reduzir o spread bancário - diferença entre custo de captação dos bancos e a taxa cobrada dos clientes.