Título: Lula volta a descartar medidas eleitoreiras em 2006
Autor: Janaina Vilella
Fonte: Valor Econômico, 28/10/2005, Política, p. A8

No dia de seu aniversário de 60 anos, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, comemorou os resultados da política econômica de seu governo, ao falar do crescimento do superávit comercial e do controle da inflação, e disse que não pretende arriscar a chance de o país atingir o crescimento sustentado com medidas "eleitoreiras", em 2006. "Não vamos permitir que haja banalidade da política brasileira outra vez. Esse país só consegue pensar de quatro em quatro anos, o país tem que pensar para 20 anos, o projeto de política para esse país é de longo prazo. As coisas que precisam ser aprovadas precisam passar por vários governos", disse Lula ontem, durante o discurso de abertura do 33º Congresso da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav). De acordo com o presidente, o Brasil está passando por um momento único, com uma conjunção de fatores positivos, o que pode "definitivamente garantir um ciclo de crescimento sustentado de longo prazo". "O Brasil nunca cresceu com inflação baixa. Toda vez que a economia brasileira cresceu, a inflação ficou a dois dígitos. O Brasil nunca conseguiu combinar a exportação com o crescimento do mercado interno", disse Lula, acrescentando que "sabe que é normal reclamar". E aproveitou para dar o recado de que o governo não vai intervir no câmbio. "A verdade é que a sociedade brasileira reivindicava o câmbio flutuante. E o problema do câmbio flutuante é que ele flutua. E nós (governo) não vamos dizer o valor do dólar", afirmou o presidente. Lula voltou a dizer que não haverá "mágica" no ano das eleições. Segundo ele, em ano eleitoral o "político é tentado a fazer loucura, a propor mágicas", mas "não entrarei para a história com a irresponsabilidade de quem fez mais uma mágica, que acabou quando deixei o governo e o povo pagou o pato", disse o presidente. "Todo sacrifício que nós fizemos está dando resultado agora. Não vamos jogar isso fora. Nós não vamos permitir que haja banalidade da política brasileira outra vez. Não vamos inventar nada, vamos fazer o que precisa ser feito com seriedade e a seriedade é a mágica, é o sucesso para a nossa política", afirmou o presidente. O evento da Abav contou com a presença da cantora Fafá de Belém, que cantou o hino nacional e o "parabéns prá você" em homenagem presidente Lula que fazia aniversário. Ao iniciar o discurso, o presidente comentou a data do seu natalício, dizendo que, "se aos 17 torcia para que o ano passasse depressa para chegar aos 18, agora torço para que as horas passem devagar para não chegar rápido aos 61 anos". Bem-humorado, ele destacou a importância do otimismo, lembrando que "pessimista se encontra em qualquer lugar do mundo". "Estou ficando velho e aprendendo que a gente tem que levantar todo o santo dia e fazer uma reza profunda para que deixemos o otimismo (sic) lá no banheiro e dê descarga nele e saia para rua pensando coisas boas porque assim elas têm muito mais chances de acontecer", disse o presidente, trocando as palavras. A cerimônia contou com a presença do ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia e do presidente da Abav, João Martins Neto. A governadora do Rio, Rosinha Matheus também compareceu ao evento da Abav e deu um livro de presente para Lula, intitulado "O Futuro da Humanidde- a saga de Marco Pólo", de autoria de Augusto Cury. Em Brasília, outra homenagem. Alunos portadores de necessidades especiais cantaram ontem "Parabéns prá você" na comemoração dos 60 anos do presidente. A banda Toque Especial, composta por estudantes de uma escola pública de Ceilândia, cidade satélite de Brasília, foi convidada pela Presidência da República para homenagear o aniversariante. Bem humorado, Lula aprovou a apresentação artística: "Poder assistir um conjunto de seres humanos com problema de deficiência mental fazendo o esforço que estão fazendo para cantar já é um belo presente de aniversário. Estou agora imaginando como comemorar os 90 anos". (Colaborou Paulo de Tarso Lyra, de Brasília)