Título: Carne bovina puxa baixa de preços agrícolas no atacado
Autor: Cibelle Bouças
Fonte: Valor Econômico, 31/10/2005, Agronegócios, p. B10

As incertezas e dificuldades operacionais causadas pela crise da aftosa continuam pressionando os preços da carne bovina no atacado. Em São Paulo, conforme levantamento da MSConsult, a queda foi de 7,3% entre 21 e 27 de outubro. Entre os dias 14 e 20, já havia ocorrido um recuo de 2,7%. Na semana passada, a variação negativa da carne bovina foi a mais expressiva entre os 14 produtos pesquisados pela consultoria, com influência direta para a queda de 2% do índice de preços no atacado (IPA) da empresa. Especialistas ouvidos pelo Valor ao longo das duas últimas semanas creditam boa parcela da queda da carne bovina no atacado ao recuo da demanda por parte do varejo, onde os preços ainda deram sinais de alta na semana passada. Para as fontes consultadas, o reajuste no varejo, aliado às notícias sobre a crise da aftosa, segurou o consumo na ponta e derrubou as encomendas do varejo ao atacado. No caso da carne de suínos (animais também suscetíveis à aftosa e também com embargos em países importadores ), a MSConsult apurou baixa de 6% nos preços no atacado paulista entre 21 e 27 deste mês. Quanto ao "contágio" da crise da aftosa no mercado de suínos, Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs) afirmou na última quinta-feira que não acredita que ele terá longa duração. Para ele, a situação será "contornável" mesmo se houver a confirmação de focos do vírus no Paraná, que conta com um suinocultura pujante. Isso não significa, contudo, que Camargo Neto está satisfeito com os desdobramentos da crise. Ao contrário. Na entrevista de quinta-feira, o executivo, também um especialista em comércio exterior mostrou-se muito preocupado com o problema, principalmente no que se refere a ações que, de acordo com ele, deveriam ter sido adotadas há muito tempo e não foram. "Há oito anos todo o mundo sabe que tem aftosa no Paraguai. Porque ninguém fez nada? Ou o país erradica a doença, ou teremos problemas no Brasil a cada dois ou três anos", afirma. Camargo acompanha as negociações para a intensificação de trabalhos integrados entre Brasil e Paraguai na fronteira entre os dois países e espera que daí surja um solução. Apesar disso, desavenças entre autoridades dos dois países voltaram a acontecer no último fim de semana.