Título: Thomaz Bastos é evasivo sobre arquivos
Autor: Taciana Collet
Fonte: Valor Econômico, 09/11/2004, Política, p. A-8

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, evitou comprometer-se com a abertura dos arquivos secretos do período militar. Num tom cuidadoso, Bastos preferiu protelar uma decisão sobre o tema: "Existem documentos que não podem ser abertos, que envolvem negociações diplomáticas, e existem documentos que podem ser abertos. Isso será feito sem atropelos e no momento oportuno". Com o pedido de demissão de José Viegas e a nomeação do vice-presidente, José Alencar, para o ministério da Defesa, os arquivos do período militar voltaram à tona. Um decreto, assinado no governo Fernando Henrique Cardoso, prevê que a documentação seja liberada para consulta somente daqui a vinte anos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode revogar o decreto e enviar um projeto de lei ao Congresso Nacional, regulamentando a abertura dos arquivos. Questionado quanto à posição do governo, Bastos foi evasivo: "Não tenho uma resposta que sim, ou que não. A questão está sendo estudada e o governo vai tomar uma posição a esse respeito. Mas uma posição calma, para que isso se faça dentro de um contexto maior do interesse do Brasil". O ministro participou ontem de uma reunião com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para assinar sete convênios entre a Secretaria de Estado da Segurança Pública e o Ministério da Justiça, que somam mais de R$ 3,5 milhões, e afirmou que a campanha pelo desarmamento pode ser prorrogada por seis meses. Durante seu pronunciamento sobre a violência e o combate ao crime no Brasil, Bastos afirmou que o pais deve ter instituições mais forte que as leis. "Não acredito que a lei mude a realidade. Por muito tempo fomos um país de leis. Hoje temos de ser um país onde as instituições funcionem. Ferramentas do Estado que funcionem e capazes de modificar a realidade, inclusive coibir a criminalidade, tanto a organizada como a comum".