Título: Economia dos EUA está 'firme', diz Greenspan
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Fonte: Valor Econômico, 04/11/2005, Internacional, p. A9
A alta dos preços do petróleo e os estragos provocados pelos últimos furacões deverão impactar de forma negativa o mercado de trabalho e os ganhos de produção nos EUA, mas o fundamentos econômicos do país permanecem "firmes", disse ontem o presidente do Fed, Alan Greenspan. Em um discurso otimista sobre a economia americana, o presidente do banco central disse ainda que os EUA "parecem estar mantendo o fôlego" e que "os últimos eventos aumentaram a pressão inflacionária, mas apenas no curto prazo de tempo". "A ruptura na produção de energia afetou, de fato, a atividade econômica", disse Greenspan. "Estimamos que as tempestades tropicais seguraram a produção industrial em 0,4 ponto percentual em agosto e mais 1,7 ponto percentual em setembro". Mas, acrescentou, desconsiderando esses efeitos, os números indicam que a economia americana continua com uma sólida expansão da demanda e da oferta. Os trabalhos de reparos nas refinarias e nas plataformas de gás e petróleo no Golfo do México, combinados com a liberação de parte das reservas estratégicas de petróleo por parte do governo americano ajudaram a arrefecer a pressão sobre os preços no país, continuou Greenspan. Mas ele advertiu: "A forte reação dos preços do gás natural só enfatiza novamente a necessidade de expandir a habilidade do nosso país de importar gás natural." Segundo Greenspan, o fornecimento da commodity parecia suficiente para atender a demanda do médio prazo. Mas um inverno mais rigoroso que o comum voltaria a pressionar o mercado, "e os preços deverão permanecer vulneráveis a guinadas até a primavera [segundo trimestre do ano que vem]." Apesar da advertência de Greenspan quanto à possibilidade de impacto negativo nos ganhos em produção, a produtividade dos trabalhadores americanos aumentou mais do que o previsto no trimestre passado e os custos trabalhistas apresentaram queda inesperada. Analistas dizem que empresas se concentraram na melhoria da eficiência para combater a disparada dos preços dos combustíveis. A produtividade - um indicador de quanto os trabalhadores produzem durante cada hora trabalhada - subiu ao ritmo anualizado de 4,1% no terceiro trimestre deste ano, comparativamente à alta de 2,1% dos três meses anteriores. O número de horas trabalhadas aumentou ao ritmo de 0,1% no terceiro trimestre deste ano, na menor alta desde o segundo trimestre de 2004, comparativamente ao aumento de 2,2% dos três meses anteriores. A produção cresceu à taxa de 4,2%, comparativamente ao aumento de 4,4% do segundo trimestre. Como a desaceleração do número de horas trabalhadas no trimestre passado pode ter sido causada pelos furacões, a produtividade não continuará crescendo no mesmo ritmo durante o quarto trimestre, disseram economistas como Stephen Stanley. "Os ganhos de produtividade podem ser mais modestos daqui para a frente, pois o número de horas trabalhadas pode apresentar um crescimento menor com a reabertura dos postos de trabalho fechados devido aos furacões", disse Stanley, economista da RBS Greenwich Capital, de Connecticut.