Título: Receita não diversificada é maior falha
Autor: Patrick Cruz
Fonte: Valor Econômico, 04/11/2005, Empresas &, p. B2

Há quem afirme que o rebaixamento simultâneo para a terceira divisão dos dois pioneiros do futebol-empresa não foi coincidência. "Qualquer um que tivesse começado antes e que tivesse trilhado o mesmo caminho de Bahia e Vitória estaria na mesma situação", diz Amir Somoggi, da Casual Auditores Independentes, que acompanha os resultados financeiros dos principais times do futebol brasileiro. "A primeira coisa que se deve fazer é um plano estratégico de dez anos, mas não apenas para pôr no papel. É preciso implementar esse plano no dia-a-dia", disse. Para ele, a principal falha da dupla e também da maioria dos clubes é a baixa diversificação das fontes de receita. Na comparação entre os rivais baianos, o Vitória está em desvantagem nesse quesito. Segundo o balanço do último ano, a venda de jogadores e os direitos de transmissão de jogos pela TV representaram 90% da receita de R$ 31,8 milhões do clube (66% e 24%, respectivamente). Por ter conseguido atrair mais torcedores aos jogos, a concentração de fontes de receita do Bahia não foi tão alta - embora ainda pouco recomendável: negociação de atletas, TV e bilheteria ficaram, respectivamente, com 35%, 28% e 22% do bolo. Somados, o rebaixamento à terceira divisão e a concentração das fontes de receita podem criar um círculo vicioso difícil de ser superado. O rebaixamento levará à queda de receita de televisão, uma das principais para ambos os clubes. Com menos dinheiro, a possibilidade de contratar bons jogadores diminui, o que dificulta a negociação de atletas, a principal fonte de recursos, em termos satisfatórios. Mas esse não é um caminho sem volta. "Para tudo há uma saída. Só não tem saída para a morte", diz, apelando ao clichê, o presidente da Federação Baiana de Futebol, Ednaldo Rodrigues. O presidente diz estar disposto a encabeçar um movimento de ressurreição dos torneios regionais. A idéia será apresentada à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em janeiro. Se acatada, poderia voltar ao calendário do futebol nacional em 2007. "O torneio do Nordeste era um sucesso de público e atraía patrocinadores. Deveria ser retomado", disse. Carlos Aragaki, da Casual Auditores, corrobora o argumento. "É preciso investir nas rivalidades regionais", diz. (PC)