Título: Rebaixamento deve gerar impacto econômico no comércio e no turismo
Autor: Patrick Cruz
Fonte: Valor Econômico, 04/11/2005, Empresas &, p. B2

O rebaixamento de Vitória e Bahia deverá ser responsável por uma queda de 35% a 40% do "PIB" do futebol do Estado, que é de cerca de R$ 50 milhões, segundo as contas da Federação Baiana de Futebol (FBF). O maior prejudicado será o comércio informal, mas o impacto será sentido também por agências de viagens, rede hoteleira e lojas de materiais esportivos. O declínio dos dois principais times de futebol da Bahia nos últimos anos levou a própria Federação a enxugar sua estrutura. Em 2001, a FBF tinha 45 funcionários, mais que o dobro dos atuais 22. A entidade vive basicamente dos 5% da receita bruta dos jogos, o que lhe rende R$ 950 mil por ano. Com a queda de Bahia e Vitória, esse número também deverá cair entre 35% e 40%, acredita o presidente da Federação, Ednaldo Rodrigues. A prioridade dada a competições nacionais é uma das causas da queda da dupla Ba-Vi, acredita o dirigente. "O novo calendário acabou com os torneios estaduais, que agora duram entre 45 e 60 dias. Bahia e Vitória montam um time para o estadual, muitas vezes formado por atletas juniores, e outro para o campeonato brasileiro. A equipe acaba ficando com menos tempo para se entrosar. A parte técnica ficou depreciada", diz. A asfixia dos torneios locais, acredita Rodrigues, pode impedir o surgimento de jogadores como Edílson, campeão mundial com a seleção brasileira em 2002 que, antes de brilhar em times como Palmeiras e Corinthians, jogou pela equipe do município de Castro Alves no torneio intermunicipal realizado no Estado. Ele não avalia de forma depreciativa a entrada de Bahia e Vitória no mundo do futebol-empresa ("porque hoje eles têm um estrutura muito boa"), mas acredita que foi um erro ter dado prioridade à construção e ampliação de centros de treinamento. "O clube não pode apenas pensar no ativo imobilizado. É importante que tenha estrutura, mas tem que investir também em equipes competitivas." A soma de solidez financeira e resultado em campo é o quebra-cabeça que os dirigentes tentam fazer encaixar. Carlos Aragaki, da Casual Auditores, cita como exemplo emblemático o caso do Palmeiras. Na gestão do ex-presidente Mustafá Contursi, que deixou o posto este ano, a prioridade foi dada ao equilíbrio rígido de receitas e despesas, o que levou o clube a apresentar no ano passado receita de R$ 76,6 milhões, montante 52% superior ao do ano anterior, patrimônio líquido de R$ 144,6 milhões e superávit de R$ 8,6 milhões. A mesma gestão que levou a esse desempenho estava à frente do Palmeiras quando o time paulista foi rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, em 2002. (PC)