Título: Cinco modelos de carros são donos de metade do mercado brasileiro
Autor: Marli Olmos
Fonte: Valor Econômico, 04/11/2005, Empresas &, p. B7

Veículos Gol, Corsa , Palio, Uno e Celta vendem tanto quanto 35 outros automóveis juntos

Metade do mercado brasileiro de automóveis se concentra na venda de cinco modelos, fabricados por três montadoras. A soma dos volumes de Gol, Corsa , Palio, Uno e Celta nos 10 meses do ano equivale a 49,71% das vendas de carros de passeio no país. O Gol, campeão de vendas no país há 18 anos consecutivos, tem uma participação de 13,32%, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave). A força desse modelo não foi abalada sequer pela greve que paralisou a Volkswagen em outubro. Volks, General Motors e Fiat são donas de um mercado altamente concentrado nos carros mais baratos. O modelo da Ford, o Fiesta vem em seguida, com 7,36% do mercado. Do 7º ao 20º lugar, a fatia de cada um varia entre 1,2% a 5,5%. Daí em diante nenhum carro, entre os mais de 50 vendidos no Brasil, tem participação superior a 1% do mercado. Os cinco primeiros vendem praticamente tanto quanto os 35 demais colocados em uma lista de 40 mais vendidos no país. Carros médios, como Astra (GM) e Fit (Honda), têm médias em torno de 1,5% das vendas. Golf (Volks) e Scénic (Renault) estão na linha abaixo de 1%. Já os modelos mais sofisticados, como Audi A4, Omega e Citroën C5, contam com fatia de 0,05% cada um. A alta concentração dos veículos mais simples no mercado brasileiro é um dos motivos que levaram o setor automotivo a apresentar, no início da gestão do atual governo, uma proposta para criação de linhas de financiamento especiais para consumidores de menor poder aquisitivo. O novo presidente da Fenabrave, Sérgio Reze, diz que pretende defender a inclusão dos carros usados nessa idéia. "Uma faixa de consumidores, donos hoje de automóveis muito velhos e que queremos incluir no mercado, não tem acesso direto ao zero-quilômetro", afirma. No programa de financiamento defendido pelo dirigente, que se assemelha às propostas do projeto de inspeção veicular, o proprietário de um carro que não tem condições de rodar daria o veículo como entrada para o financiamento de outro com menos tempo de uso. O velho seria, então, transformado em sucata e o ex-proprietário do usado em melhor condição também teria acesso à linha de crédito para um modelo novo. A venda de carros de passeio continua em alta. Em outubro, o total de 108.757 unidades representou um crescimento de 2,05% em relação ao mesmo mês do ano passado. Com a soma dos volumes de comerciais leves (como picapes) e mais caminhões e ônibus, a venda total de veículos foi de 137.644, segundo dados de licenciamento divulgados ontem pela Fenabrave. Isso representou um ligeiro acréscimo, de 0,33% em relação a outubro de 2004. No acumulado do ano, entretanto, o crescimento foi de 8,78%, num total de 1,372 milhão de unidades. O segmento de caminhões começa a sofrer os efeitos da retração no setor agrícola. Embora no acumulado de 10 meses a venda de veículos de carga tenha atingido elevação de 2,92%, no mês passado houve queda de 19,31% em relação a outubro de 2004. A Fenabrave já tem o prognóstico para o mercado brasileiro de veículos em 2006. A entidade calcula um crescimento de 5,6% nas vendas de automóveis, caminhões e ônibus. O setor espera atingir em 2005 um mercado interno de 1,66 milhão de veículos, o que representará aumento de 5% ante 2004. A expectativa da Fenabrave sobre o crescimento das vendas em 2006 vem da tendência de queda na taxa de juros, um componente importante nesse comércio. O segmento de mercado que mais deve crescer, nos cálculos da entidade, é o de automóveis, com avanço esperado de 7,4%. Já os segmentos de caminhões e ônibus devem avançar 1,5%, segundo a previsão. A Fenabrave estima, ainda, que as vendas de motocicletas vão avançar 11,5% e as de máquinas agrícolas vão cair 26%, em 2006.