Título: Mato Grosso do Sul à espera de acesso a São Paulo
Autor: Mauro Zanatta
Fonte: Valor Econômico, 04/11/2005, Agronegócios, p. B12
Pecuaristas do Mato Grosso do Sul esperam a queda das barreiras sanitárias em São Paulo para retomar 80% das vendas de carne bovina e animais vivos do Estado, segundo a Associação dos Criadores do Mato Grosso do Sul (Acrissul). Desde o surgimento dos casos de febre aftosa, a produção no Estado caiu 50%. Laucídio Coelho Neto, presidente da Acrissul, observa que São Paulo é o principal mercado para o Mato Grosso do Sul, além de ser o corredor de exportação até o porto de Santos. Antes da aftosa, segundo ele, o nível de abates caiu de 300 mil para 180 mil cabeças por mês por conta da aftosa. Ele estima que o prejuízo com a doença seja de R$ 150 milhões, se contados os quase 150 mil bois que deixaram de ser vendidos e os mais de 15 mil já sacrificados. A Abiec (reúne os exportadores de carne bovina) estima que o prejuízo com a queda nos embarques neste ano deve totalizar US$ 230 milhões em relação à estimativa inicial. Apenas em outubro, houve perda de US$ 68 milhões e a perspectiva é que esse número cresça para US$ 100 milhões neste mês. A Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) e a Superintendência Federal de Agricultura avaliam mais animais para abate nas regiões próximas aos focos de Eldorado e Japorã. A expectativa é que serão abatidas pelo menos 17 mil cabeças até a contenção definitiva da doença. Os órgãos cogitam sacrificar rebanhos de assentamentos em Eldorado Japorã. A Secretaria de Agricultura de São Paulo informou que não decidiu se irá relaxar as regras de controle sanitário, para atender à instrução normativa n 34 do Ministério da Agricultura. Segundo a assessoria de imprensa, a coordenadoria técnica está avaliando as regras e, por enquanto, vale a legislação estadual, que proíbe o trânsito de animais vivos e carne bovina com osso vindos do Mato Grosso do Sul e do Paraná. O serviço de defesa sanitária de Santa Catarina também informou que vai reforçar o controle com o apoio do Exército. Serão instalados sete postos de controle em uma faixa de 150 quilômetros sobre a divisa norte do Estado, a partir da fronteira com a Argentina, e até o limite dos municípios de Abelardo Luz e Passos Maia. A ação conta com 105 militares e 16 veículos. Ontem (dia 3), a Secretaria de Agricultura do Paraná divulgou o laudo parcial dos exames realizados no gado suspeito de febre aftosa, dos municípios de Amaporã, Loanda, Grandes Rios e Maringá. Segundo técnicos da Secretaria, os exames não foram conclusivos, mas não permitem descartar a hipótese da doença. Pelos testes, das 106 amostras de sangue dos animais, 16 apresentaram reação, o que significa que há atividade viral nos animais. A dúvida consiste em saber se o resultado deve-se ao fato de os animais terem sido vacinados ou se se trata da doença. Uma fonte da indústria veterinária disse que é quase impossível que a vacina proporcione um falso resultado positivo.(colaborou CB)