Título: Ofensiva contra travas à carne bovina começa pela UE
Autor: Mauro Zanatta
Fonte: Valor Econômico, 04/11/2005, Agronegócios, p. B12
O governo federal está pronto para iniciar uma ofensiva em busca da reabertura dos principais mercados da carne bovina brasileira no exterior, fechados desde os primeiros diagnósticos de febre aftosa em Mato Grosso do Sul. Na próxima semana, o Ministério da Agricultura começará os contatos com as embaixadas de parte dos 49 países que decidiram suspender as compras do produto nacional. Em seguida, negociará a vinda de missões técnicas ao país. O plano oferecerá garantias adicionais de controle sanitário do rebanho para convencer os importadores a retomar as compras. O chefe da Divisão de Controle do Comércio Internacional, Ari Crispim, informou ao Valor que a estratégia será centrada em quatro pontos: aperfeiçoamento do sistema de rastreamento de bovinos (Sisbov); a instalação de linhas de inspeção post mortem em todos os frigoríficos exportadores; a maturação sanitária da carne; e a desossa seletiva. "Vamos oferecer registros de elementos que possam ser auditados por missões técnicas em visita ao país". Os primeiros objetivos da negociação são os mercados da União Européia, Chile e Israel. O governo aposta na reabertura gradual dos demais países a partir dos parâmetros adotados por estes mercados. A exemplo do sistema usado no Paraná, o governo federal implantará a Guia de Trânsito Animal (GTA) Eletrônica para garantir o total rastreamento dos animais. O sistema, bancado em parte com recursos do ministério, é uma das principais ações para a reconstrução do sistema de defesa. A agilidade do Paraná em rastrear o gado que teve contato com animais de Mato Grosso do Sul será usada para convencer parceiros comerciais. "Foi um trabalho muito bem feito", afirma o secretário de Defesa Agropecuária, Gabriel Maciel. Os animais foram rastreados e as propriedades, interditadas. A inspeção post mortem assegurará, segundo Crispim, que os animais abatidos não têm sintomas nem lesões da aftosa. Para isso, serão examinadas patas, língua, boca e mucosa bucal dos bovinos abatidos em todos os matadouros com registro no Serviço de Inspeção Federal (SIF) de todos os estados. A medida também auxiliará a investigação epidemiológica por meio da coleta de material. "A iniciativa inibe a sub-notificação de casos suspeitos de aftosa e impede o abate de animais suspeitos, que poderiam propagar um possível foco da doença", afirma. O Ministério da Agricultura também defenderá a maturação sanitária como um instrumento seguro para evitar um possível vírus incubado no animal. Nesse caso, o Brasil garantirá que as carnes serão resfriadas a 2°C por, no mínimo, 24 horas após o abate e desossa. "Isso baixa o pH da carne a 6 pontos e inativa o vírus", explica Crispim. Também haverá a garantia de que o gado só será desossado se apresentar na parte muscular mais densa uma temperatura entre 4ºC e 5ºC desde que, no fim do processo de desossa, pré-embalagem, embalagem, paletização e entrada nas câmaras, os cortes se mantenham em menos de 7ºC.