Título: Banco Nacional é o maior credor do fundo
Autor: Raquel Balarin
Fonte: Valor Econômico, 04/11/2005, Finanças, p. C1

As negociações para transformação do FCVS em títulos CVS não têm impacto apenas na dívida pública. O Banco Nacional, em liquidação extrajudicial, é o maior credor privado do FCVS, com R$ 20 bilhões em carteira. Desse total, apenas 10% já foram transformados em títulos, que pagam juro mensal desde janeiro deste ano. Há pouco menos de dez anos, quando entrou em liquidação, o Nacional adquiriu de outros bancos créditos do FCVS por 35% a 42% de seu valor de face - pagou R$ 35 por um crédito que valia R$ 100. O FCVS, em seguida, foi apresentado como garantia ao Banco Central no âmbito do programa de fortalecimento do setor, o Proer. Apesar de ter comprado o FCVS, o Nacional não levou o crédito para casa. Os bancos ganharam o direito de ficar com ele para fins de cumprimento da exigibilidade de aplicação de 65% dos recursos da poupança em financiamentos habitacionais. É por isso que, hoje, quem tem de pedir a transformação dos créditos em títulos CVS é o banco que vendeu o FCVS. "Estamos sendo pressionados pelo liquidante", diz Luiz Antonio Rodrigues, do Itaú. O banco tem R$ 5,1 bilhões de FCVS, sendo R$ 4 bilhões vendidos ao Nacional. O Bradesco tem R$ 8 bilhões de créditos vendidos ao banco em liquidação e não securitizou nada até agora. O Nacional informou que tem insistido com os bancos para receber o CVS porque o papel paga juros mensais e os recursos são utilizados para abater dívidas. Embora representantes de bancos avaliem que o adiamento do cronograma de securitização do FCVS possa atrasar um acordo, o diretor de liquidações e desestatização do Banco Central, Gustavo Matos do Vale, diz que não. "Em tese, na negociação de um acordo, posso estabelecer um cronograma com o Tesouro", diz Vale. Nesse caso, a liquidação passaria a ser ordinária, tendo um passivo com o BC e um ativo com o Tesouro. O BC começou a dar os primeiros passos para um acordo no Nacional depois que os controladores, os Magalhães Pinto, aceitaram entregar todas as garantias, ainda que elas possam superar o valor da dívida. Em outros casos, como o do Econômico, o controlador não aceita isso. O caminho, porém, é longo. A costura de um acordo deve levar ao menos um ano. (RB)