Título: Comércio busca consenso para reforma
Autor: Janaina Vilella
Fonte: Valor Econômico, 10/11/2004, Política, p. A-8

As quatro grandes confederações de empregadores decidiram atuar juntas para influir na reforma trabalhista que visa flexibilizar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), disse ao Valor o presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Antonio Oliveira Santos. A meta, segundo ele, é a integração entre a CNC e as demais confederações do Brasil - Confederação Nacional da Indústria (CNI), Confederação Nacional dos Transportes (CNT), e Confederação Nacional da Agricultura (CNA) - para fortalecer as negociações no Congresso. "É importante o alinhamento entre as diversas entidades do setor para que possamos fazer frente ao governo", afirmou Santos, adiantando que a sinergia também incluirá entidades como o Sesc, Sebrae e Senac. A partir de um diagnóstico iniciado em 1991 e concluído em 2002, elaborado após seis assembléias nacionais realizadas com a participação de sindicatos e federações, a CNC traçou um plano estratégico para o período de 2004 a 2010. As conclusões do trabalho foram apresentadas segunda-feira, durante a abertura do VII Congresso do Sistema Confederativo da Representação Sindical (Sicomercio). Até sexta-feira, representantes de 860 sindicatos filiados à CNC, das sete federações nacionais e das 27 federações estaduais estarão reunidos com o objetivo de consolidar e aperfeiçoar o sistema CNC. Entre as principais propostas apresentadas e que serão encaminhadas ao governo destacam-se a regulamentação do direito de greve dos empregados, a representatividade efetiva dos sindicatos e melhorias na negociação coletiva. A CNC defende, por exemplo, que os sindicatos tenham, no mínimo, uma representatividade efetiva de 20% da classe que defendem. "Temos que trabalhar a estrutura sindical brasileira item a item. Não queremos burlar a lei, mas não podemos ter uma legislação com base em um retrato estático. O que vale para uma multinacional não se aplica à farmácia da esquina. Defendemos uma negociação direta entre patrão e empregado", disse o vice-presidente da CNC e presidente da Federação do Comércio do Rio Grande do Sul, Flavio Roberto Sabbadini. O planejamento estratégico também prevê ações como o remapeamento do setor terciário brasileiro, que é o maior gerador de postos de trabalho no país, e a adequação das entidades sindicais às novas regras contidas na proposta de reforma sindical, que está em tramitação no Congresso Nacional, além de ajustes visando a reforma trabalhista. O setor terciário é responsável por 20 milhões de empregos diretos no país. Os 860 sindicatos ativos representam 4,5 milhões de empresas.