Título: Avestruz Master poderá entregar aves a aplicador
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Fonte: Valor Econômico, 09/11/2005, EU &, p. D2
Justiça
A Avestruz Master firmou ontem compromisso com o Procon de Goiás, onde fica a sede da empresa, de abrir as portas para negociar com credores ao meio-dia de hoje, exceto nas filiais de Palmas (TO), Araguaína (TO) e Recife (PE). Segundo nota do Procon, o sócio diretor Jérson Maciel da Silva Júnior se comprometeu a elaborar um cronograma para o pagamento em até 30 dias dos cheques não pagos e Cédulas de Produto Rural (CPRs) vencidas. É possível que seja proposto parcelamento da dívida. Os demais credores serão convocados apenas conforme vencerem os títulos ou os cheques pré-datados. A Master afirmou que, ao longo da negociação, se houver caixa, pretende adquirir as aves dos investidores. Porém, se não houver, a empresa poderá entregar o que deve em avestruzes, se for do interesse do aplicador. A Master se coloca até à disposição para mantê-los em seu sistema de hotelaria nas fazendas, desde que o serviço prestado entre o vencimento da CPR e a venda do animal seja pago. Em nova nota oficial divulgada em seu site, a empresa reconhece que "muitas dificuldades operacionais ocasionadas recentemente acabaram por atrasar mais do que o previsto a normalização de nossas atividades." A reabertura da empresa era prevista para segunda-feira. Na nota, a Master diz que espera normalizar todas as atividades apenas na próxima segunda-feira. Ontem ainda, a Polícia Federal executou mandado de arresto, seqüestro, busca e apreensão de bens em 15 endereços da Master e de seus sócios em Goiânia. A Procuradoria da República de Goiás fala, em nota, sobre "bens adquiridos como produto de suposto crime". Esses bens garantiriam pagamento de ao menos parte da dívida com os investidores, se não ocorrerem mais resgates das CPRs. A empresa, com as contas bloqueadas desde domingo, vendia títulos para a criação de avestruzes em seis Estados e no Distrito Federal e costumava oferecer lucro acima de 10% ao mês aos aplicadores. O presidente da Associação dos Criadores de Avestruzes do Brasil (Acab), Adair Ribeiro Junior, diz nunca ter tido acesso à quantidade de aves ou ao faturamento da Master, números que serão revelados sexta, segundo acordo de Maciel Júnior com a Procuradoria. Para Ribeiro Junior, não há outra empresa que venda CPR ligada a avestruz atualmente. "A produção é rentável, mas é um tipo de pecuária e não investimento financeiro." O rendimento real do negócio, diz, é menor do que 10% ao mês. (D.F.)