Título: Delcídio insiste que Justiça dê acesso aos documentos de Duda
Autor: Caio Junqueira
Fonte: Valor Econômico, 11/11/2005, Política, p. A6

Os parlamentares que integram a CPI Mista dos Correios receberam informações não oficiais da Polícia Federal de que a transferência de sigilos da empresa Dusseldorf (a off-shore aberta pelo publicitário Duda Mendonça nas Bahamas) ao governo brasileiro, via Ministério da Justiça, comprovariam que as contas foram alimentadas por ex-dirigentes do Banco Rural e por doleiros de Minas Gerais. Duda Mendonça confirmou à CPI que recebeu pagamentos do PT no exterior por prestação de serviços na campanha eleitoral. Com base nessa informação, o presidente da CPI Mista, senador Delcídio Amaral (PT-MS), fez ontem mais um apelo ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para que a comissão tenha acesso aos sigilos. A pressão da CPI junto ao ministro da Justiça começa a surtir efeito. O ministro da Justiça e o presidente da CPI dos Correios assinaram, ontem, um pedido conjunto às autoridades americanas para que autorizem o envio de informações sigilosos obtidas nas contas bancárias do publicitário Duda Mendonça à CPI. As informações foram enviadas ao Brasil na sexta-feira pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Mas, o governo americano autorizou o acesso apenas da Polícia Federal e do Ministério Público. O Departamento de Justiça dos EUA não reconhece a CPI como autoridade de investigação. O Ministério da Justiça já pediu para que o governo americano reveja a sua posição. Thomaz Bastos chamou Delcídio para que assinassem um novo documento na tentativa de convencer os americanos que a CPI não irá vazar as informações sigilosas. O documento foi enviado ontem ao Itamaraty para ser, então, encaminhado aos EUA. Se, após a ofensiva de ontem, a CPI, ainda assim, não conseguir consultar os dados que chegaram dos Estados Unidos à Polícia Federal e Ministério da Justiça, os parlamentares pretendem apelar diretamente ao procurador distrital de Nova York, Robert Morgenthal. "O procurador é bastante acessível e gosta muito do Brasil", disse o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), que conseguiu o auxílio dos EUA quando presidia a CPI do Banestado, que investigava a evasão de divisas no Brasil. No relatório parcial apresentado ontem à CPI dos Correios pelo deputado Gustavo Fruet (PSDB-CE), os recursos originários do exterior podem ser outra fonte de recursos para abastecer as contas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. "Há indícios de que essa conta (a Dusseldorf) teria sido utilizada como canal de financiamento de campanhas políticas no Brasil", disse Fruet no relatório (MLD e Juliano Basile)