Título: Varig terá que detalhar segunda fase da recuperação à Justiça americana
Autor: Tatiana Bautzer
Fonte: Valor Econômico, 10/11/2005, Brasil, p. A2
Aviação
O tribunal de falências de Nova York determinou que a Varig apresente no dia 21 de dezembro o plano detalhado da segunda fase de recuperação da empresa, com injeção de US$ 400 milhões a US$ 500 milhões até junho do ano que vem. A Varig conseguiu com facilidade prorrogar por mais 60 dias a liminar que evita o arresto de aviões pelas empresas de leasing, depois de cumprir as condições determinadas na audiência anterior em Nova York. O juiz Robert Drain espera que o tribunal possa ver o plano de recuperação com detalhes sobre a forma dos aportes de capital e identificação clara dos investidores envolvidos na operação. Drain exigiu que o plano seja entregue já com aprovação prévia dos credores no Brasil. As empresas de leasing reclamam da falta de informações sobre os investidores arregimentados pela TAP para participar do consórcio que está injetando dinheiro na Varig. O presidente da TAP, Fernando Pinto, disse que o formato do novo aporte de capital será semelhante ao que já foi feito para o pagamento das parcelas de leasing, mantendo a participação da TAP abaixo do limite legal de 20% para participação de investidores estrangeiros. O presidente da Varig, Omar Carneiro da Cunha, disse que a TAP terá preferência para atuar como investidora na segunda parte do plano de recuperação, mas que haverá uma nova rodada de ofertas pelos ativos da companhia. "Vamos intensificar os contatos com os credores nesta semana", disse. Ontem a Varig apresentou na audiência a comprovação do depósito de US$ 62 milhões numa conta em Nova York para as empresas de leasing e anunciou o recebimento de outros US$ 42 milhões numa linha de crédito da TAP lastreada em recebíveis de cartão de crédito. O juiz Drain recomendou que o novo aporte de recursos seja usado prioritariamente para manutenção da frota de aeronaves, concordando com a sugestão inicial da Varig. "Com estes recursos, cinco das 15 aeronaves que estão paradas por falta de peças de reposição podem voltar a voar em dezembro", disse o presidente da Varig. A partir de dezembro, seriam dez aeronaves paradas, número ainda acima das cinco que costumam não voar para manutenção em condições normais de operação. O valor do crédito, US$ 42 milhões, foi ligeiramente menor do que o presidente da Varig havia anunciado em carta aos credores (US$ 50 milhões). Os recebíveis (de cartões Visa) têm prazo médio de quatro meses e referem-se ao pagamento de passagens já utilizadas pelos consumidores. Depois de correr para atender às exigências das empresas de leasing, como relatórios semanais de fluxo de caixa e dados sobre cada uma das aeronaves sob contrato de leasing, com a localização de cada avião e de turbinas retiradas, a Varig respirou aliviada depois de uma audiência relativamente curta, que terminou no início da tarde de ontem. Outras audiências no tribunal duraram o dia inteiro, com convocação de testemunhas pelas partes. "Só conseguimos manter a liminar num prazo quase impossível de cumprir porque demonstramos o empenho da Varig na recuperação, trouxemos o negócio fechado", disse Carneiro da Cunha.