Título: Real valorizado derrubou lucro trimestral do setor
Autor: André Vieira
Fonte: Valor Econômico, 10/11/2005, Empresas &, p. B8
Petroquímica Fabricantes apostam em novos reajustes para reverter cenário
Frustradas pelo fraco desempenho do terceiro trimestre, as empresas petroquímicas esperam uma melhora do cenário do último trimestre de 2005. "A combinação de volume e preço alto deve se traduzir na recuperação dos nossos resultados no quarto trimestre", disse ontem o presidente da Braskem, José Carlos Grubisich. A Braskem viu seu lucro no terceiro trimestre cair 90%, para R$ 48 milhões. Foi o pior resultado da empresa desde o trimestre terminado em junho de 2004, quando teve prejuízo.
Os papéis da companhia foram penalizados no mercado acionário. As ações preferenciais, classe A, que encerraram o pregão cotadas a R$ 19,50, caíram 4,31% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A despeito da alta da produção e do aumento das vendas que aceleraram no período, a apreciação do real frente ao dólar foi um dos principais fatores para a redução expressiva do lucro das empresas petroquímicas. Em conjunto, as companhias Braskem, Suzano, Petroquímica União (PQU) e Copesul tiveram um lucro conjunto de R$ 196 milhões no terceiro trimestre, queda de 75% sobre o ganho de R$ 770 milhões em igual intervalo de 2004. Outros indicadores também pioraram. Os produtos petroquímicos, que inclui as resinas termoplásticas, são cotados em dólar. Por conta da valorização cambial, as empresas receberam menos dólares pelas vendas dos produtos. Não houve grandes variações nos preços em dólar das resinas se comparados a igual trimestre de 2004. As exportações também caíram. A Braskem continua acreditando na desvalorização do real. Mas não vê mudanças expressivas na taxa cambial no médio prazo. Segundo Grubisich, a aposta é que o dólar atinja a casa dos R$ 2,30 até o fim do ano, chegando ao nível de R$ 2,50 até o fim de 2006. Mas enquanto o dólar desliza contra a expectativa do empresário, a Braskem, como outras petroquímicas, vem anunciando reajustes de preços das resinas, que podem ajudar a compensar os fracos resultados. Em novembro, está previsto o reajuste de 10% a 15% no valor das resinas, acumulando uma alta superior a 50% neste ano. A expectativa das empresas é que a economia brasileira, com um aquecimento da demanda interna, colabore para a melhora dos resultados. A nafta, a principal matéria-prima do setor, também teve um impacto forte sobre as receitas das empresas. O preço da nafta subiu quase 30% em dólar, alcançando US$ 522 por tonelada. Chegou a ser vendida a US$ 600, efeito provocado pela onda de furacões nos EUA. No entanto, parte deste aumento dos custos foi neutralizado pelo efeito cambial. Mesmo assim, as margens encolheram. Para reduzir os efeitos da volatilidade dos preços da matéria-prima, a Braskem decidiu elevar suas compras junto à Petrobras. Do total de 1,1 milhão de toneladas compradas no terceiro trimestre, cerca de 75% foram adquiridas da estatal. Normalmente, essa cifra oscila ao redor de 60%. O executivo espera um retorno do preço do petróleo ao patamar de US$ 50 por barril ao longo de 2006. A Oxiteno, empresa petroquímica do grupo Ultrapar, teve queda de 20% em sua receita líquida, que ficou em R$ 409 milhões. O lucro da Ultrapar caiu 48%, para R$ 67 milhões.