Título: Reforço de reservas aumenta a dívida interna
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 01/11/2005, Finanças, p. C2
A estratégia do governo de reforçar as reservas internacionais e amortizar dívida externa está provocando, como efeito colateral, o aumento da dívida interna, mais cara. Segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central, de janeiro a setembro, o endividamento externo foi reduzido em R$ 43,173 bilhões. Em contrapartida, a dívida interna subiu no mesmo montante. Em termos relativos, a dívida externa do governo foi reduzida em 3,04% do Produto Interno Bruto (PIB), e a dívida interna, no mesmo montante. O governo reduz endividamento externo líquido de duas formas. Uma delas é pela compra de dólares dentro do mercado de câmbio para amortizar dívidas no exterior, o que reduz passivos. Outra forma pela compra de moeda estrangeira em mercado para reforçar as reservas; neste caso, aumentam os ativos em dólar e cai o passivo líquido. Nas duas situações, as compras de dólares expandem o volume de dinheiro na economia - enxugado pela emissão de títulos, que elevam o endividamento interno do país. O custo da troca de dívida externa por interna é a diferença de taxas de juros. Títulos emitidos fora do país têm prazos mais longos e juros mais baixos - a emissão em reais realizada em setembro, por exemplo, pagou ao investidor uma taxa de 12,75% ao ano, enquanto a taxa Selic no período estava em 19,5% ao ano. Tomando como base esses parâmetros, o diferencial de juros representa encargo adicional de cerca de R$ 3 bilhões, quando aplicado sobre o estoque de R$ 43,173 bilhões de divida externa trocada por dívida interna. Em outubro, o BC retomou a sua estratégia de compra de dólares no mercado. As estimativas são de que tenha adquirido cerca de US$ 3 bilhões, o que elevou as reservas internacionais líquidas (excluem empréstimos do FMI ) para US$ 45,810 bilhões no último dia 27. Se esses números estiverem corretos, a dívida interna terá aumentado cerca de R$ 7 bilhões. O alto custo desse tipo de operação tem feito o mercado especular sobre quando o BC irá se dar por satisfeito com seu programa de acúmulo de reservas. Em 2003, o México viveu uma situação semelhante e, quando suas reservas ultrapassaram a casa dos US$ 50 bilhões, lançou um programa de redução do acúmulo de dólares. O presidente do BC, Henrique Meirelles, disse há cerca de um mês no Congresso Nacional que, quando as reservas chegarem ao valor adequado, a autoridade monetária irá comunicar o mercado posteriormente. (AR)