Título: Copom vai reduzir o número de reuniões para definir juro básico
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 01/11/2005, Finanças, p. C2
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central comunicou que irá se reunir menos vezes para definir a taxa básica de juros a partir de 2006. Em vez de 12 reuniões anuais, uma cada mês, serão só oito encontros, o que significa um a cada período aproximado de 44 dias. O comitê informou, em nota, que decidiu reduzir o número de reuniões em virtude "da crescente normalização e estabilidade do ambiente econômico do país", que reduzem a necessidade de definir a taxa básica de juros com maior freqüência. As reuniões continuam a ocorrer em terças e quartas-feiras, com o resultado divulgado no segundo dia. Nada muda na divulgação das atas das reuniões, que continuará a ocorrer na quinta da semana seguinte (seis dias úteis após o encontro), e na divulgação do relatório de inflação, que ocorre até o último dia útil de cada trimestre. Com o enxugamento calendário, o Copom passará a se reunir com a mesma freqüência que o Federal Reserve, o BC americano. "As reuniões exigem uma carga enorme de trabalho do BC", diz o ex-diretor da instituição Sérgio Werlang, diretor-executivo do Banco Itaú. "Com a economia mais estável, não há por que fazer esse trabalho todos os meses." A única observação de Werlang à decisão do Copom é que, em vez de ter anunciado a mudança para 2006, deveria ter sido implementada em 2007. Analistas econômicos já fizeram as suas projeções com base em um calendário com 12 reuniões, e o mercado financeiro já negociou ativos usando essa premissa. O ex-presidente do BC Gustavo Loyola, hoje na Tendências Consultoria, também considera positiva a mudança. "Vai diminuir um pouco a pressão que os membros do Copom estavam sujeitos a cada mês", diz. "A tensão pré-Copom será a cada 44 dias, em vez de mensalmente." O maior espaçamento das reuniões não impede que o Copom tome decisões quando há mudanças fortes nos rumos da economia - além das reuniões ordinárias, há os encontros extraordinários, para momentos emergenciais. Também continua a valer a possibilidade de o Copom impor viés de alta ou de baixa na taxa, que permite que ela seja mudada entre um encontro e outro. O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Márcio Cypriano, elogiou a decisão. "É uma medida importante e mostra que o país está mais maduro." Segundo ele, com reuniões mais espaçadas, acaba a tensão todos os meses. "É possível que o instrumento do viés seja usado com mais freqüência, já que o intervalo entre uma reunião e outra é maior", disse Cypriano. O diretor de Normas do BC, Sergio Darcy, disse que a decisão "é reflexo da maior estabilidade do país e, com isso, haverá mais tempo para avaliação". (Colaborou Sérgio Lamucci, de São Paulo)