Título: EUA esperam iniciativa brasileira para a Alca
Autor: Tatiana Bautzer
Fonte: Valor Econômico, 11/11/2004, Brasil, p. A2

Os Estados Unidos esperam que o Brasil marque a data da próxima reunião ministerial da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), a ser sediada no país, para retomar as complicadas negociações. As conversas entre Brasil e EUA foram interrompidas no segundo semestre, depois do fracasso da reunião em Puebla, México, e de algumas reuniões informais em Washington para discutir as diferenças. Diplomata que fez parte do grupo dos 13 países aliados aos EUA no México em fevereiro diz que há dúvidas sobre o "comprometimento do país" com a negociação da Alca. Integrantes do governo brasileiro tentaram continuar conversando com os americanos alguns meses antes das eleições nos EUA, sem sucesso, e esperavam um cenário melhor agora. Com o reforço da maioria republicana no Congresso dos EUA, deve ser aprovado com facilidade o acordo de livre comércio com a América Central (Cafta), mas não há sinais de disposição em mexer em subsídios agrícolas ou maior acesso a mercado no setor. O Brasil esperava fechar um acordo com a União Européia até outubro último, e isso seria um instrumento de pressão para negociar melhores condições na Alca. Sem o acordo, ficou mais difícil conseguir concessões dos EUA. Segundo a fonte diplomática do grupo dos 13, a perda da ação movida pelo Brasil contra subsídios ao algodão na Organização Mundial do Comércio (OMC) só acirra a postura americana de negociar agricultura apenas na Rodada Doha e não em outros acordos. Tanto os Estados Unidos quanto outros países desenvolvidos devem tentar avançar em Genebra em outras áreas, como acesso para bens industriais. "Vamos expandir para outros assuntos", diz o diplomata.