Título: Compartilhamento será estendido para todo país
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 03/11/2005, Finanças, p. C8

Até o final de novembro, o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal vão estender a todo o Brasil o compartilhamento da rede de auto-atendimento. O projeto, chamado de "Bancos Integrados", envolve os terminais externos e as lotéricas e começou no início do ano em três cidades: Brasília, Curitiba e Recife. Desde setembro, passou a abranger 22 Estados e 6,7 mil pontos de venda (3,8 mil lotéricas, 2.250 terminais externos do BB e 600 da Caixa). O uso dos terminais compartilhados está acima da expectativa, disse o gerente executivo do BB, Cícero Przendsiuk, e deve aumentar mais com a inclusão dos Estados que ainda estão fora. Przendsiuk afirmou, em seminário realizado pelo Institute for International Research (IIR), que vão entrar agora os Estados com maior número de clientes, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo. Os primeiros resultados justificam o otimismo, segundo Przendsiuk. Nos primeiros 25 dias de outubro, já foram realizadas 1,5 milhão de transações nos terminais compartilhados pelo BB e Caixa, 435 mil das quais, ou quase um terço, por clientes do outro banco. O uso da rede compartilhada pelos clientes do BB e Caixa supera assim, em muito, a média do mercado. De acordo com dados apresentados pelo chefe do Departamento de Operações Bancárias e do Sistema de Pagamentos do Banco Central (BC), José Antonio Marciano, 36% da rede nacional de 140 mil terminais já têm uso aberto, mas só 2% das transações são compartilhadas. Das operações realizadas, saque e saldo representam cerca de 70% - percentual que está exatamente dentro da média do mercado. O número de transações também ficou acima do esperado, que era de 1 milhão de operações em todo o mês. A expectativa agora é que supere os 3 milhões com a entrada dos cinco Estados que ainda faltam. Para Marciano, a falta de informação e o custo são dois fatores que inibem o compartilhamento. BB e Caixa reconhecem que o elevado volume de operações realizadas reduz os custos. Cada terminal do BB realiza cerca de 50 mil transações por mês. Mas, o BC está interessado em que o mercado financeiro compartilhe não só a rede de auto-atendimento, mas também a de máquinas de leitura de cartões (POS, de point of sale). Nesse sentido, vai divulgar ainda neste ano uma diretiva indicando o caminho ao mercado. O BC acredita que o compartilhamento trará maior eficiência ao sistema e reduzirá os custos - vantagens que seriam repassadas aos clientes. Diante da sinalização, a Bancos Integrados já está conversando com bancos privados e espera "duas ou três" adesões no início do próximo ano, disse Przendsiuk, estimando que isso possa elevar o movimento para 60 milhões de transações por mês. Outras redes já compartilhadas - a Tecnologia Bancária (TecBan), que administra o Banco24Horas, e a ATP, que cuida da Rede Verde-Amarela (RVA) - também estão se movimentando. A TecBan engloba 13 das redes existentes e soma 27 mil pontos de atendimento. A RVA soma 5 mil pontos de atendimento e cerca de 30 mil terminais, incluindo os correspondentes bancários. Outra meta da Bancos Integrados para o primeiro semestre do próximo ano é ampliar o leque de operações disponíveis na rede compartilhada, incluindo transferências, pagamentos e extratos, que, junto com os saques e saldos, representam até 85% das operações feitas pelos clientes. Para o diretor da Caixa, Sérgio Maia, o principal passo do próximo ano, que representará efetivamente grande economia para os bancos envolvidos no projeto, será a constituição de uma empresa para administrar a rede compartilhada. "A redução do custo será mais acentuada com a eliminação das áreas hoje duplicadas", como a retaguarda, disse Maia.