Título: Demanda menor pode frustrar planos de vendas de jatos regionais da Embraer
Autor: Cynthia Malta
Fonte: Valor Econômico, 11/11/2004, Brasil, p. A4

A fábrica da Embraer instalada em parceria com a estatal chinesa AVIC-II, história de sucesso e exemplo da parceria de alta tecnologia entre Brasil e China, está no centro de uma delicada negociação diplomática, durante a visita do presidente chinês ao Brasil, Hu Jintao. O planejamento chinês em relação aos vôos comerciais no país ameaçaram reduzir a demanda por jatos regionais como o ERJ-145, fabricados pela Embraer, em Harbin, a 900 quilômetros de Pequim. A empresa acionou o governo brasileiro, que incluiu na agenda de conversas com a comitiva de Hu Jintao a necessidade de garantir as encomendas para a companhia. Em julho, o presidente da Embraer, Maurício Botelho, anunciou a expectativa de vender 10 aviões em 2005; segundo dois importantes integrantes do governo, os chineses estariam reduzindo as encomendas para cinco aeronaves. O vice-presidente de relações internacionais da Embraer, Henrique Rzezinski, garantiu ao Valor que a empresa mantém a expectativa de vender 10 aeronaves no ano que vem. "Eles estão cumprindo tudo em nossa relação contratual, têm sido extremamente corretos", garantiu Rzezinski. "O que existem são alguns problemas de mercado na China, que estão sendo solucionados", acrescentou. Os problemas a que se refere Rzezinski são as decisões dos órgãos públicos chineses, como a China Aircraft Supply Corporation, que determinam os tipos de avião e rotas a serem adotados pelas 20 companhias de aviação locais. Segundo fontes do governo, a preferência por jatos de maior porte reduz a demanda pelas aeronaves regionais produzidas pela Embraer, e ameaçaria frustrar os planos de Botelho. Ele previa um maior interesse pelos aviões menores devido aos planos governamentais de fixar taxas aeroportuárias de acordo com o tamanho das aeronaves. Uma redução dos pedidos por parte das companhias chinesas de aviação afetaria negativamente os planos da Embraer de colocar no mercado regional chinês 250 aeronaves durante os próximos dez anos, anunciados por Botelho, em entrevista à agência "Bloomberg", em julho. Problemas com a regulação comercial do setor aéreo na China não são novidade; a última companhia a instalar uma fábrica no país, a Mcdonnell Douglas, fechou suas instalações nos anos 80 devido a prejuízos. Rzezinski nega que a Embraer tenha qualquer receio em relação a seus planos na China. "Os chineses estão fazendo o que tem de ser feito", garante. "Tudo está dentro do previsto." (SL)

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