Título: Indústria segurou produção em setembro
Autor: Vera Saavedra
Fonte: Valor Econômico, 11/11/2004, Brasil, p. A5

produção física da indústria brasileira ficou estável em setembro em relação a agosto, depois de crescer por seis meses consecutivos. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou ontem os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), avaliou o fato mais como uma "acomodação do ritmo da indústria" do que mudança de tendência. A freada atingiu a maioria das categorias, como bens de capital, bens de consumo duráveis e bens intermediários, que declinaram 2,5%, 1,9% e 0,2%, respectivamente. Somente os bens não duráveis e semiduráveis cresceram 1,5% sobre agosto. Os outros indicadores, porém, se mantiveram positivos, apesar de mais fracos. Na comparação com setembro de 2003, a atividade das fábricas cresceu 7,6%. No ano, o aumento acumulado é de 9% e, na taxa anualizada, de 7,2%. Na média móvel trimestral, todas as categorias de uso cresceram, sinalizando manutenção da trajetória ascendente da atividade das empresas. Ao analisar o comportamento da indústria, o economista Francisco Eduardo Pires de Souza, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio (UFRJ), não perdeu o bom humor. "Tem vezes que dar empate é um bom resultado", comentou. Ele acha que um mês é pouco para fazer qualquer tipo de avaliação. "O que pode desacelerar a indústria é esse novo ciclo de alta do juro, mas só terá efeito no início do ano que vem".

Pelo seu cálculo, mesmo que a indústria cresça pouco, a uma taxa média de 0,2% ao mês até dezembro, fechará o ano com um crescimento de produção excepcional, de 8%, "o que não acontece há muito tempo", celebrou. Pires interpreta o comportamento dos bens de capital e dos bens duráveis como uma parada necessária, pois cresceram demais a um ritmo muito forte nos doze meses até agosto, entre 33% os duráveis e 30% os bens de capital. "Quando cresce muito rápido assim tem que ter uma parada, nenhum crescimento é contínuo com uma taxa de expansão tão elevada", observa. Ele rechaça os argumentos de que o gargalo na produção é o nível da capacidade instalada da indústria. Para Pires, o fato de que a produção de bens de capital subiu muito sinaliza mais investimento fixo. "O aço sempre trabalhou na alta capacidade. Nada impede a indústria de importar o produto se for necessário, pois estamos com um superávit comercial imenso". O crescimento de bens não duráveis na margem, em setembro, foi uma surpresa agradável. Pires lembra que a massa salarial está começando a se recuperar de forma progressiva. Desde fevereiro, já cresceu 7,9%. Sua expectativa é de que, na média, a massa salarial cresça 4% este ano. O Instituto de Economia estima crescimento do PIB de 5% em 2004. Para a LCA Consultores, os números da produção industrial confirmaram a desaceleração da atividade econômica. Mesmo assim, a LCA elevou a estimativa do crescimento da indústria neste ano, de 8% para 8,2%. Com isso, a projeção para o PIB subiu de 4,8% para 5%. Isso ocorreu porque o IBGE fez "uma substancial revisão para cima" do desempenho da indústria farmacêutica desde outubro de 2003. No acumulado do ano até agosto, os números anteriores mostravam uma queda de 8,3% na produção do setor; após a revisão, os novos dados mostram um crescimento de 1,9%.