Título: Análise de risco no rebanho do PR será ampliada
Autor: Cibelle Bouças
Fonte: Valor Econômico, 16/11/2005, Agronegócios, p. B12

Após intensa troca de acusações e divergências nos bastidores, o Ministério da Agricultura e o governo do Paraná selaram ontem, durante reunião realizada em Brasília, um acordo para desmontar as suspeitas de um diagnóstico positivo de aftosa em 19 cabeças de gado no Estado. A estratégia será ampliar as análises de risco no rebanho para justificar uma "flexibilização" do trânsito de animais, produtos e derivados da região sob suspeita. As medidas servirão para neutralizar as suspeitas e tentar convencer os importadores a abrir seus mercados à carne brasileira. Conforme apurou o Valor, na reunião de ontem cogitou-se até mesmo fazer o abate sanitário de parte do rebanho localizado em 400 propriedades dos municípios de Amaporã, Loanda, Maringá e Grandes Rios. A medida, entretanto, teria sido adiada "por cautela", a pedido do governo do Paraná. Mas o abate deverá voltar a ser cogitado durante a visita de uma missão de técnicos do ministério à região sob suspeita. A missão deve avaliar, até a próxima semana, as medidas e ações tomadas pelo governo local. Um relatório oficial do Paraná deverá chegar até amanhã ao Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura com novas informações sobre quantidade de animais avaliados, sintomas encontrados e trânsito de gado na região sob suspeita. Para reforçar a tática da abertura gradual, o secretário de Defesa Agropecuária, Gabriel Maciel, anunciou ontem a redução da área de emergência sanitária de 25 quilômetros para 10 quilômetros em torno das nove fazendas sob suspeita de ter registrado os focos da doença nos quatro municípios paranaenses. Maciel também confirmou a revogação de uma portaria que restringia o trânsito de animais, produtos e derivados de outros 32 municípios do Estado. A proibição deverá permanecer em vigor para nove municípios. Maciel reafirmou, entretanto, que os resultados dos exames feitos pelo laboratório oficial de Belém foram "inconclusivos". E ressalvou que novas amostras ainda estão em análise, o que poderia inclusive levar a resultados positivos. Há cerca de 400 testes pendentes no laboratório de Belém. Os resultados dos testes devem demorar a sair, o que contraria determinação do ministro Roberto Rodrigues para acelerar o desfecho da novela da febre aftosa no Paraná. Na última segunda-feira, Rodrigues estimou em três dias o prazo necessário para encerrar o caso. "Não estamos preocupados com tempo, mas com a qualidade dos resultados", afirmou, contudo, Gabriel Maciel. Em evento realizado na noite de ontem em Florianópolis, Rodrigues lamentou a demora para a conclusão dos testes sobre as suspeitas no Paraná mas informou que os trabalhos para a reabertura de mercados para a carne brasileira no exterior estão acelerados. Ontem mesmo saíram de Brasília missões com destino à Argélia e à África do Sul, e outras missões estão fazendo as malas. A preocupação do ministro é com os embarques de carnes em 2006, já que, com as barreiras atuais, as perdas poderão chegar a US$ 1,6 bilhão no ano. O Ministério da Agricultura informou, na segunda-feira, que aplicará R$ 37 milhões do Ministério de Ciência e Tecnologia na modernização de sua rede de laboratórios, cujos equipamentos têm, em média, entre 15 e 20 anos de uso. A medida era discutida desde meados de 2001. (Colaborou Vanessa Jurgenfeld, de Florianópolis)