Título: SP libera trânsito de bovinos de MS e PR
Autor: Mauro Zanatta
Fonte: Valor Econômico, 17/11/2005, Agronegócios, p. B11

Mesmo sem a conclusão dos exames sobre as suspeitas de febre aftosa no Paraná e sem o fim dos abates no Mato Grosso do Sul, a Secretaria de Agricultura de São Paulo decidiu liberar o trânsito de animais vivos, produtos e subprodutos de origem animal desses Estados como forma de retomar o nível de processamento dos frigoríficos. De acordo com Duarte Nogueira, secretário de Agricultura paulista, serão publicadas hoje duas resoluções com critérios para o trânsito de produtos vindos dos vizinhos. Será permitida a entrada de animais vivos em caminhões lacrados, destinados só ao abate e que tenham como destino frigoríficos com registro no Serviço de Inspeção Federal ou estadual. Continua proibida a entrada de animais e produtos das áreas de focos do Mato Grosso do Sul e de 36 municípios com suspeitas no Paraná, bem como a realização de eventos agropecuários. "As medidas permitirão melhorar o abastecimento no Estado e evitarão o desemprego no setor frigorífico, que emprega mais de 70 mil pessoas". Em reunião hoje em São Paulo, Nogueira e o governador Geraldo Alckmin anunciam as novas medidas e os resultados da vacinação, que até semana passada atingia 60% do gado. Nas cinco campanhas anteriores, o índice no Estado superou 99% do rebanho. No Mato Grosso do Sul, onde não há novos focos há duas semanas, o abate sanitário já somou 11.421 animais, sendo 11.188 bovinos, 117 ovinos e 116 suínos. Em Eldorado, onde foi descoberto o primeiro foco em 10 de outubro, o abate foi concluído com o sacrifício de 1.944 animais, segundo a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro). João Cavalléro, diretor do Iagro, diz que também terminaram ontem os sacrifícios referentes ao último foco, descoberto em uma fazenda com 5,5 mil animais em Eldorado. Dos 22 focos confirmados no Estado, três foram em Eldorado, 18 em Japorã e um em Mundo Novo. Estima-se que os abates chegarão a 15 mil animais no Mato Grosso do Sul. Cavalléro diz que a liberação das indenizações está ocorrendo normalmente. Ontem, produtores de Japorã protestaram contra os valores das indenizações - de R$ 800 por boi e R$ 400 por vaca sacrificada. Os pecuaristas afirmam que o valor de mercado é de R$ 1,1 mil por animal.