Título: Incertezas sobre aftosa no Paraná no alvo de críticas
Autor: Mauro Zanatta
Fonte: Valor Econômico, 17/11/2005, Agronegócios, p. B11
Crise Sanitária
Reconduzido nesta semana à Presidência da Câmara Setorial da Carne Bovina do Ministério da Agricultura, o pecuarista Antenor Nogueira criticou ontem a demora do governo em esclarecer as suspeitas de febre aftosa no Paraná. "Isso é muito ruim. Como vamos negociar a reabertura dos mercados sem uma definição sobre o que realmente houve?". Apesar dos sintomas clínicos da doença, os exames do laboratório oficial de Belém deram negativos. Nogueira disse temer que a constatação de falhas na coleta das amostras de sangue dos animais prejudique a defesa do sistema sanitário do país. "É grave, mas pode ter sido feito fora do prazo". A inépcia na coleta das amostras é apontada nos bastidores como fator vital para o resultado dos exames. O gado do Paraná teve contato com rebanhos do Mato Grosso do Sul, onde 22 focos foram confirmados. O Ministério da Agricultura anunciou que enviará missões para negociar o fim do embargo em Israel, Rússia e na União Européia. "Trata-se de um programa de recuperação de imagem, onde vamos enfatizar que os focos de aftosa estão restritos ao estado do Mato Grosso do Sul", disse, em nota, Elizabete Seródio, secretária de Relações Internacionais do ministério. O ministério investiga as suspeitas de focos da doença nos municípios de Loanda, Amaporã, Maringá e Grandes Rios. Há suspeitas em pelo menos outros dois municípios: Rio Branco do Ivaí e São Sebastião da Amoreira. Não houve confirmação laboratorial da doença em nenhum caso até agora. O ministério e o governo do Paraná iniciaram nesta semana uma estratégia para desarmar as barreiras internas impostas ao Paraná pelos estados vizinhos. Dessa forma, espera ter um argumento concreto para oferecer aos importadores. "Precisamos concluir esse assunto, oferecer um dado conclusivo", disse Nogueira, que também preside o Fórum Nacional de Pecuária de Corte da CNA. O episódio no Paraná complicou as negociações para reabrir os mercados de parte 49 países que embargaram as compras de carne do Brasil. A CNA divulgou ontem estimativa de que, mesmo com a aftosa, as exportações de carne bovina serão recorde em 2005. Os exportadores devem vender US$ 3 bilhões ao exterior - 30% acima do resultado de 2004, quando foram embarcados US$ 2,5 bilhões. "Sem a doença, poderíamos chegar a US$ 3,2 bilhões", disse Nogueira. Segundo análise da CNA, as vendas externas passam por um processo de reorganização. Os estados impedidos de exportar têm direcionado sua produção de carne bovina ao mercado interno. De outro lado, os demais estados têm suprido a demanda externa. Nos últimos 12 meses terminados em outubro, as vendas renderam US$ 3,01 bilhões. No mês passado, porém, as exportações caíram 7,31%, para 161 mil tonelada.