Título: Câmara dificulta prorrogação da CPI do Mensalão
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Fonte: Valor Econômico, 18/11/2005, Política, p. A6
A CPI do Mensalão teve final melancólico, na noite de ontem. Depois de 36 horas de negociações, os integrantes da comissão não conseguiram fechar acordo de líderes para aprovar a prorrogação dos trabalhos por mais 30 dias. Houve duas grandes reuniões na tarde ontem, uma na Câmara e outra no Senado, com os líderes partidários. Os senadores concordaram com a ampliação do prazo de finalização da CPI. Mas na Câmara não foi possível construir um acordo e, até a noite de ontem, ainda não havia entendimento sobre o prosseguimento dos trabalhos. Depois de esgotar as tentativas de convencer os líderes, o presidente da CPI, senador Amir Lando (PMDB-RO), conversou com os integrantes da comissão. "Até houve um acordo, mas não acho que será possível cumpri-lo". Lando chegou a anunciar o fechamento do acordo, mas foi desautorizado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, para quem a CPI tinha "acabado". O senador irritou-se com a insistência da CPI em trabalhar na tarde de ontem, inclusive com a leitura oficial do relatório do deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), relator da comissão. O relatório foi adiantado pelo Valor, em reportagem publicada ontem. A irritação de Renan decorre dos diversos desencontros e confusões vividas na CPI nos últimos dois dias em torno do prazo. O presidente do Senado se irritou também com a possibilidade de ter de cancelar os trabalhos da comissão e ficar com o ônus de ver uma das CPIs terminar em pizza. "Eu não quero ser coveiro de CPIs", desabafou, na reunião com os líderes. (TVJ)