Título: Operação custa caro ao cofre público e traz pouco benefício
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 18/11/2005, Finanças, p. C1
Os "swaps" cambiais reversos negociados pelo Banco Central no início deste ano impuseram custos relativamente altos aos cofres públicos, com benefícios sobretudo transitórios na melhora do perfil da dívida pública. Entre fevereiro e março, a autoridade monetária vendeu em leilão US$ 8,7 bilhões desses instrumentos financeiros, que pagam aos investidores o CDI mais a valorização do real. Ontem, venceu US$ 1,7 bilhão desses papéis (considerando seu valor no resgate), que permite ter uma idéia dos custos arcados pelo BC. Os papéis haviam sido vendidos em três leilões, quando a taxa de câmbio se encontrava entre R$ 2,61 e R$ 2,63. Ontem, a moeda americana chegou a R$ 2,1966. Dependendo de quando comprou o papel, o BC deverá pagar ao investidor remuneração entre 15,6% e 17%, apenas referentes à valorização cambial, sem contar os juros referentes ao CDI do período. O BC anunciou, em fevereiro, o início dos leilões de "swap" reverso como uma forma de reduzir a parcela da dívida interna vinculada à taxa de câmbio. Os papéis foram vendidos durante dois meses, em seis leilões. As operações provocaram, de fato, um maior desatrelamento da dívida vinculada ao câmbio, que foi reduzida de 8,03% para 4,94% entre janeiro e março, deixando o país menos vulnerável a desvalorizações cambiais. Mas o grosso das operações realizadas pelo BC foi de curto prazo, e seus benefícios sobre a dívida pública, apenas transitórios. Já venceram 78,44% dos papeis cambiais emitidos no início do ano. Dos US$ 8,7 bilhões emitidos, US$ 6,8 bilhões já expiraram. Assim, restam em mercado apenas US$ 1,9 bilhão dos papéis emitidos no início do ano. Apenas esse montante, que vencerá até 2008, continua a ter efeitos positivos no perfil da dívida. O vencimento dos "swaps" reversos não impediu, porém, que o perfil da dívida pública conservasse a melhora obtida no início do ano. Em setembro, 3,82% da dívida era vinculada ao câmbio. Os ganhos foram mantidos - e até ligeiramente ampliados - porque no período venceram instrumentos cambiais em que o governo assume posições passivas em moeda estrangeira. Uma possível conclusão dos números acima é que, vistas de hoje, as operações não foram vantajosas. Teria valido mais a pena o BC aguardar o vencimento dos papéis cambiais em que o governo assume posição passiva em dólar, o que traria ganhos maiores ao perfil do endividamento. Na visão de uma fonte do BC, porém, os cálculos acima não refletem de forma correta os custos e benefícios dos "swaps". O argumento central é que, ao emitir "swaps" cambiais no início do ano, o BC adquiriu um seguro contra a desvalorização do real, que gerou ganhos que não são fáceis de medir, como uma maior confiança dos investidores. "É como fazer um seguro de carro", sustenta essa fonte. "Não é correto dizer, no vencimento da apólice, que o seguro não trouxe benefícios só porque o carro não foi roubado. Durante a vigência da apólice, o carro teve uma proteção contra roubo." Os "swaps" reversos, na argumentação dessa fonte, trouxeram benefícios ao país, ao antecipar uma melhoria no perfil da dívida. Esse fator foi importante para a queda do risco-país e a melhora na classificação pelas agência de rating. Para o BC, as operações de "swap" teriam o objetivo único e exclusivo de reduzir o risco cambial, sem gerar ganhos ou perdas. Na medida do possível, os "swaps" reversos foram vendidos de forma a se casarem com o vencimento de instrumentos cambiais em que o governo tinha posição passiva em dólar. "De um lado, o BC teve perda nos swaps reversos, mas, de outro, teve ganhos nos demais papéis cambiais. O resultado é zero." A fonte concorda que teria sido melhor colocar "swaps" em prazo mais longo, em que as incertezas sobre a taxa de câmbio são maiores. No seu primeiro leilão, em fevereiro, o BC tentou vender papéis com vencimentos distribuídos igualmente entre 2005 e 2008. Nos prazos mais longos, porém, houve colocação apenas parcial, porque o mercado não teve apetite pelo papel. "O objetivo é melhorar o perfil da dívida. Isso não depende só da vontade do BC, mas também das condições de mercado." (AR)