Título: BC retoma leilão de swap reverso
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 18/11/2005, Finanças, p. C1
Intervenção Cambial Medida reduz dívida em dólar e tenta evitar maior apreciação do real
O Banco Central anunciou que vai retomar hoje os leilões de "swap" reverso, em que assume posição passiva em juros e ativa em câmbio. O valor aproximado do leilão é de US$ 400 milhões, divididos em cinco tranches que vencem entre março de 2006 e janeiro de 2008. Embora negado pelo BC, o principal objetivo da medida é tentar evitar uma maior depreciação da cotação do dólar. Essas operações visam a enxugar o excesso de dólares no mercado futuro, que vem provocando a apreciação do real no mercado à vista de moeda estrangeira. No discurso oficial, o propósito do leilão é melhorar o perfil da dívida pública, reduzindo sua exposição à taxa de câmbio - que em setembro equivalia a 3,82% do total, sem considerar as operações de mercado aberto. Desde 8 de março passado o BC não realiza leilões de swap cambial reverso. O volume oferecido no leilão de hoje é bem menor do que o negociado nas ofertas públicas realizadas no início do ano, cujo valor típico era pouco inferior a US$ 2 bilhões. Há cerca de duas semanas os analistas do mercado financeiro já especulavam pela possível volta dos leilões de swap cambial reverso. Desde outubro o BC já vinha atuando pesadamente no mercado à vista de dólares (desde então, comprou pelo menos US$ 5 bilhões), mas a estratégia não impedia a contínua valorização do real. A maior fonte de pressão sobre o câmbio são as posições montadas pelos investidores no mercado futuro para lucrar com as altas taxas de juros vigentes no país. A pressão baixista sobre o câmbio futuro acabava por contaminar, via arbitragem, também a cotação do dólar à vista. O swap reverso é visto por analistas econômicos como um paliativo para evitar maior apreciação do real enquanto a taxa básica de juros não é reduzida. Na semana passada, o BC soltou um comunicado em que muda a sistemática dos leilões de swap reverso. Até então, a praxe era avisar, às terças-feiras, se o leilão seria realizado no dia seguinte. A partir desse comunicado, o leilão não será mais, necessariamente, semanal. O BC poderá atuar quando achar conveniente, desde que avise na véspera. O grosso dos papéis ofertados terá vencimento em 2006 (em março, julho e setembro), com valores aproximados de US$ 100 milhões cada. No leilão serão ofertados instrumentos cambiais com vencimento janeiro de 2007 e de 2008, com valor aproximado de US$ 50 milhões cada. Essas datas coincidem com vencimentos de títulos e swaps cambiais tradicionais, em que BC ou Tesouro têm posição passiva em moeda estrangeira.