Título: Preço e barreiras sanitárias ditam destino do agronegócio
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 21/11/2005, Brasil, p. A3

Os exportadores de soja, açúcar e carne bovina esperam estabilidade nas vendas para o exterior no próximo ano. Os produtores de carne de frango trabalham com a perspectiva de uma leve alta nos embarques. Esses setores representam uma fatia significativa das exportações agrícolas do país. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleo Vegetais (Abiove) projeta receita de US$ 8,9 bilhões com as exportações do complexo soja (grão, farelo e óleo). É quase o mesmo nível desse ano, US$ 8,8 bilhões. As receitas obtidas no mercado externo por esse setor saltaram de US$ 3,7 bilhões em 1999 para US$ 10 bilhões em 2004. Segundo a entidade, a área plantada com soja no país deve cair 4% na próxima safra, o que resultaria em produção de 57,1 milhões de toneladas. Os produtores estão endividados e também desestimulados com a atual cotação do dólar. Eles reclamam que os argentinos venderão o grão com o dólar a 3 pesos, enquanto no Brasil está próximo de R$ 2,00. Mesmo assim, a nova safra deve ser superior aos 51,4 milhões da atual, na qual houve uma brutal quebra por problemas climáticos. A expectativa inicial era produzir 61,5 milhões de toneladas esse ano. Segundo as projeções da Abiove, os preços da soja devem recuar do pico de US$ 235 por tonelada em 2005 para US$ 220 por tonelada em 2006. A queda será provocada pela boa produção nos Estados Unidos, pelo aumento da área plantada na Argentina e pela recuperação da cultura no Brasil. A expectativa inicial dos exportadores de açúcar é exportar em 2006 o mesmo volume desse ano. De acordo com a União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), as exportações brasileiras devem somar US$ 4,3 bilhões em 2005; US$ 3,6 bilhões de açúcar e US$ 700 milhões de álcool. De acordo com Antônio Pádua Rodrigues, diretor técnico da entidade, a plantação de cana-de-açúcar deve aumentar nessa safra, mas esse volume extra pode ser direcionado para a produção de álcool. "A expectativa é que uma coisa compense a outra", diz. Com o aumento das vendas de carros bicombustíveis, a demanda por álcool tende a aumentar no mercado interno. Os exportadores de carne bovina estão enfrentando embargo de diversos países por conta do recente surgimento de um foco de febre aftosa no Mato Grosso do Sul. Para Antônio Camardelli, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Bovina (Abiec), o setor provavelmente não deve atingir a meta de exportar US$ 3 bilhões esse ano. Em 2004, foram embarcados US$ 2,5 bilhões em carne bovina e a expectativa era de um crescimento expressivo esse ano, antes do aparecimento da aftosa. Para 2006, Camardelli se mantém otimista e acredita que o país começa a reverter, a partir de dezembro, embargos de alguns países que proibiram todas as importações de carne bovina não apenas do Mato Grosso do Sul, onde surgiu a doença. Ele acredita que o Brasil pode exportar US$ 3 bilhões de carne bovina no ano que vem. A Associação Brasileira dos Exportadores de Carne de Frango (Abef) projeta aumento de 5% a 10% nos embarques do produto em volume em 2006 em relação a 2005 e 10% a 15% em receita. Ricardo Gonçalves, diretor-executivo da entidade, diz que a expectativa era encerrar esse ano com exportações de US$ 3,5 bilhões, mas a greve dos fiscais do Ministério da Agricultura pode provocar uma perda de US$ 100 milhões em embarques. Se as previsões da entidade se concretizarem, o ritmo de aumento dos embarques será mais lento que o registrado nesse ano, que cresceu 18% em volume e 33% em receita, segundo a Abef. Gonçalves explica que o Brasil já abastece 45% deste mercado no mundo e está em 152 países. Tirando a possibilidade remota de abertura do mercado dos Estados Unidos, que é muito protecionista, o espaço para crescimento das exportações brasileiras está cada vez menor. "Atingimos uma velocidade de cruzeiro e estabilizamos", diz o executivo. A MS Consult projeta queda nas exportações do agronegócio em 2006. Na avaliação da consultoria, os embarques do setor devem ficar em US$ 31 bilhões no próximo ano, abaixo dos US$ 33 bilhões previstos para 2005. (RL)