Título: Vale espera elevar em 10% suas vendas no próximo ano
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 21/11/2005, Brasil, p. A3

A Companhia Vale do Rio Doce trabalha com a expectativa de continuar batendo recordes de exportação em 2006, quando deverá colocar no mercado 225 milhões de toneladas de minério de ferro e pelotas, ante 205 milhões de toneladas deste ano - uma alta de quase 10%. A maior mineradora de ferro do mundo leva em conta, nessa sua previsão, um mercado bastante aquecido para seus produtos. Para abastecer seus consumidores, principalmente as siderúrgicas, a Vale tem investido muito para ampliar sua produção de minérios e metais não ferrosos. Este ano, a companhia deve gastar US$ 3,3 bilhões em investimentos e, para 2006, planeja gastar US$ 5 bilhões em ampliação de capacidade e novos projetos no Brasil e no exterior, visando suprir uma oferta apertada de minério no mundo. A Vale, segundo seu diretor-financeiro, Fábio Barbosa, deverá vender este ano 250 milhões de toneladas de minério e pelotas, incluindo o mercado interno, ante 230 milhões em 2004. Para 2006, a previsão de Barbosa é vender, no total, 270 milhões de toneladas de minério de ferro e pelotas. As receitas obtidas com as exportações serão crescentes, dado que este ano o preço do minério de ferro subiu 71,5% e, para 2006, as perspectivas são de nova alta, mas em nível menor, conforme avaliam analistas do setor de mineração. Este mês devem começar as rodadas de negociações entre siderúrgicas e mineradoras para fixar um novo preço para o minério de ferro a vigorar no ano que vem no mercado internacional. Os últimos números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Turismo (MDIC) informam que este ano, até outubro, a Vale registrou uma receita com exportações de US$ 3,7 bilhões, ante US$ 2,5 bilhões em igual período de 2004, um crescimento de 45,78%. Segundo o MDIC, a Vale é a segunda maior exportadora do país. Em 2004, faturou com exportações US$ 5,5 bilhões. Se forem somados a essa receita US$ 889,1 milhões correspondentes ao faturamento com exportações de minério de ferro da Minerações Brasileiras Reunidas (MBR), controlada da Caemi, que por sua vez é controlada da Vale, pode-se considerar que a mineradora gerou divisas com suas vendas externas de US$ 4,6 bilhões. Se for acrescido a este número metade dos US$ 748,9 bilhões obtidos pela mineradora Samarco, na qual a Vale tem participação de 50%, a empresa terá uma receita de exportações de quase US$ 5 bilhões nos dez primeiros meses deste ano.