Título: Setor de petróleo pode repetir desempenho
Autor: Chico Santos
Fonte: Valor Econômico, 21/11/2005, Brasil, p. A3
As exportações brasileiras de petróleo bruto deverão se manter relativamente estáveis em 2006, gerando receita em torno de US$ 5 bilhões, semelhante a que deverá ser obtida neste ano. Na avaliação do especialista Adriano Pires Rodrigues, diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), a soma de um crescimento maior da economia brasileira, gerando pressão de consumo interno, com uma pequena queda (em torno de 5%) do preço internacional do óleo irá redundar na estabilização da receita em comparação a 2005. Em 2004, para uma produção média de aproximadamente 1,5 milhão de barris/dia, o Brasil exportou 243 mil barris/dia de óleo cru e obteve receita de US$ 2,5 bilhões, segundo dados do CBIE. Em 2005, com produção média em torno de 1,7 milhão de barris/dia, as exportações devem alcançar 290 mil barris/dia, 20% a mais, com a receita praticamente dobrando para US$ 5 bilhões. A defasagem entre o crescimento da receita e o do volume exportado se deve ao aumento do preço do petróleo. Pires calcula que o preço médio do barril vai fechar 2005 em US$ 66. Nem a Petrobras nem a Shell, responsáveis por mais de 95% das exportações de petróleo e derivados do Brasil, fizeram previsão sobre o que esperam para 2006. Em 2005, até setembro, a estatal, sua subsidiária BR Distribuidora e a Shell exportaram juntas US$ 6,19 bilhões em óleo cru e derivados, de um total de US$ 6,4 bilhões exportados pelo Brasil. A Petrobras foi a maior exportadora do país até setembro, com US$ 5,7 bilhões (incluindo a BR), segundo dados do Ministério do Desenvolvimento. A Shell ficou em 31º lugar entre os exportadores brasileiros até setembro, com receita de US$ 476 milhões. No mesmo período de 2004 a receita havia sido de US$ 450 milhões. As exportações da Shell são principalmente de óleo cru. A empresa exportou até agora toda a sua cota da produção de óleo do campo de Bijupirá-Salema, na bacia de Campos (RJ), que gira em torno de 50 mil barris por dia. A Shell controla 80% da produção e a Petrobras, 20%. A multinacional anglo-holandesa preferiu não fazer projeções para 2006 porque ainda não é certo que ela continuará exportando integralmente sua produção, já que, eventualmente, a demanda interna pode se tornar mais atrativa.