Título: Crise na matriz abre novo espaço para GM do Brasil
Autor: Marli Olmos
Fonte: Valor Econômico, 23/11/2005, Empresas &, p. B7
As dificuldades que a General Motors enfrenta nos Estados Unidos podem representar uma oportunidade para filiais da companhia em países emergentes, como o Brasil, participarem mais ativamente da estratégia de produção e de engenharia, segundo o presidente da subsidiária brasileira, Ray Young. "Centros de engenharia como o que existe no Brasil têm chances de ajudar nesse momento", disse o executivo ontem, um dia depois de a maior montadora do mundo anunciar que fechará 12 fábricas e demitirá 30 mil funcionários na América do Norte. Young não demonstra preocupação em relação a eventuais desgastes que a crise na matriz poderia causar à imagem da companhia no Brasil. O executivo disse ter conversado sobre isso com os concessionários. "Eles me disseram que não sentem em nossos clientes problemas com a imagem da companhia", disse. Por outro lado, o executivo mostra-se disposto a recuperar a rentabilidade da empresa no Brasil, que há oito anos não sabe o que é ter lucro. "Eu tenho a responsabilidade de reduzir custos e de fazer a operação no Brasil crescer." Segundo suas projeções, a lucratividade no país pode vir em 2006 com o plano de compensar no mercado brasileiro as perdas com vendas externas, decorrentes de um dólar desvalorizado. Quanto à expectativa de a crise nos EUA servir de oportunidade para a filial brasileira, Young lembrou que o Brasil possui um dos cinco centros de engenharia que têm competência e autorização da matriz para o desenvolvimento de produtos. Os outros quatro estão na Europa, Austrália, China e Coréia. Antes mesmo de a crise nos EUA tornar-se mais aguda, a GM já tinha delineado um plano de espalhar o desenvolvimento de produtos pelo mundo, principalmente em países de custos mais baixos. Alguns projetos já estão em andamento. O centro de engenharia da GM do Brasil, em São Caetano do Sul (SP), é que comanda o desenvolvimento de um veículo que será fabricado na África do Sul para ser vendido na Europa. Trata-se do utilitário esportivo Hummer, que já é vendido nos Estados Unidos. O trabalho da engenharia brasileiro é criar um modelo baseado no modelo americano adaptado às exigências de mercados fora dos Estados Unidos. Segundo o diretor de engenharia da GM na América Latina, Pedro Manuchakian, o veículo começa a ser produzido na África em setembro de 2006. Em sua apresentação durante um painel de abertura do Congresso da SAE (Sociedade de Engenharia Automotiva), Young reforçou teses em favor da necessidade de redução de custos nos países que começam a dominar a tecnologia dos carros mais simples. "Reduzir custos e oferecer nos carros atributos que nossos clientes desejam é um desafio não apenas no Brasil".