Título: Trabalhadores rejeitam proposta do governo
Autor: Alda do Amaral Rocha
Fonte: Valor Econômico, 23/11/2005, Agronegócios, p. B12

Os fiscais federais agropecuários rejeitaram novamente uma proposta de reajuste feita ontem pelo governo. O Ministério do Planejamento ofereceu aumento de 10% em janeiro e 5% em junho. Os fiscais queriam 15% em dezembro. "Azedou tudo de novo. Eles tinham uma boa proposta e jogaram no lixo", criticou o presidente da Abipecs (exportadores de suínos), Pedro de Camargo Neto. Segundo ele, a "situação caótica" do setor produtivo tem se agravado diariamente. "Virou um caos. Todo mundo com mandado judicial, uma coisa triste", disse. "Não tem a mínima condição. O governo vem negociar já reconhecendo que a proposta é ruim", disse Wilson Roberto de Sá, vice-presidente da Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa). Na tentativa de minimizar os efeitos da greve, o governo autorizou ontem a contratação emergencial 180 agrônomos e 320 médicos veterinários para desafogar o movimento em portos e postos de fronteira. Mas os fiscais entraram na Justiça contra a medida. Eles avaliam que os contratados temporários não podem emitir certificados ou atestados internacionais, entre outras tarefas exclusivas da carreira. "Essas medidas mostram o despreparo, o desespero e a agressividade do governo", disse Wilson Sá. Os profissionais serão contratados por meio de processo seletivo simplificado com uma remuneração mensal de R$ 3,77 mil. O prazo de contratação será de 60 dias, a partir da data da assinatura dos contratos, podendo ser prorrogado até dois anos. A paralisação dos fiscais começou em 7 de novembro. A Comissão Nacional de Paralisação comprometeu-se a atender as emergências sanitárias e manter 30% dos fiscais federais em atividade. Os grevistas querem reajuste salarial e isonomia entre ativos, aposentados e pensionistas. "Se a situação persistir, vamos denunciar às embaixadas, à Organização Mundial do Comércio. O governo federal está atropelando normas da FAO [braço da ONU para alimentação e agricultura] e uma série de outros acordos internacionais", afirmou Sá, da Anffa. Segundo a Agência Brasil, a Justiça Federal de São Paulo determinou que os funcionários do Ministério da Agricultura retomem as atividades de fiscalização sanitária no estado para evitar prejuízos econômicos à indústria. A decisão foi tomada pelo juiz federal João Batista Gonçalves, da 6ª Vara da Justiça Federal da capital, no dia 17, mas a conclusão dos autos foi expedida dia 21.(Colaborou CL)